Adolescente é encontrado com arma de policial; autores de crime são procurados

Publicado em 16/06/2017 por A Tarde - BA

Cerca de 300 pessoas, entre familiares e amigos foram dar o último adeus a Luizinho - Foto: Adilton Venegeroles l Ag. A TARDE
Cerca de 300 pessoas, entre familiares e amigos foram dar o último adeus a Luizinho
Adilton Venegeroles l Ag. A TARDE

Pé de Ferro, Lucas e Uilton. Esses, segundo um policial civil, são os três suspeitos de matar o investigador Luiz Santos de Jesus, de 59 anos, na madrugada desta quinta-feira, 15, no bairro da Liberdade, em Salvador.

Segundo o policial, Luizinho, como o investigador era carinhosamente chamado, foi abordado pelos criminosos por volta das 3h, quando passava de carro pela rua Lima e Silva, próximo ao Terceiro Centro de Saúde.

"Ele tinha saído de uma festa com a esposa e um casal de amigos. Os bandidos  pararam o carro dele, mandaram  todos  descerem e  se ajoelharem, depois fizeram a revista. Viram que ele estava armado, tomaram a arma e deram um tiro nas  costas dele, na covardia", narrou o colega, sob anonimato.

Luizinho foi levado ao Hospital Geral Ernesto Simões Filho (HGESF), no Pau Miúdo, mas morreu logo em seguida. A esposa dele e o casal de amigos não ficaram feridos.

Após o crime, os bandidos fugiram levando a pistola calibre .40 do investigador. A arma foi encontrada, à tarde, com um adolescente de 17 anos, na rua Nilo Peçanha, na localidade Beco do Sabão, no bairro da Calçada (Cidade Baixa).

O jovem e mais três homens foram conduzidos ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), na Pituba, onde foram ouvidos pelo delegado Odair Carneiro, da Força-tarefa da Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP-BA), que apura mortes de policiais. Todos foram liberados em seguida.

A Polícia tenta prender Pé de Ferro e os dois comparsas, Lucas e Uilton (Foto: Reprodução)

Operação

Durante esta quinta, policiais civis de diversas unidades fizeram buscas em vários bairros de Salvador a fim de capturar os criminosos. Cerca de 100 policiais, entre investigadores e delegados, participaram da operação. Segundo um agente, a última localidade a ser vistoriada foi a da Prainha, no bairro do Lobato, subúrbio ferroviário.

A operação teve início nas primeiras horas da manhã desta quinta e foi retomada por volta das 3h da tarde, logo após o corpo de Luizinho ser sepultado no Cemitério da Ordem Terceira de São Francisco, na Quinta dos Lázaros, na Baixa de Quintas.

Luizinho era casado e deixou dois filhos - um casal - e uma neta (Foto: Arquivo pessoal)

Quinto policial civil morto

Luizinho estava na Polícia Civil há 29 anos e, atualmente, trabalhava no Serviço de Investigação (SI) da Delegacia de Repressão a Estelionato e Outras Fraudes (Dreof). Ele foi o quinto policial civil morto este ano, segundo o presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Estado da Bahia (Sindpoc), Marcos Maurício. Todos durante a folga.

"Não podemos deixar de andar armados por conta da exposição. Todos os dias bandidos entram e saem das unidades, ficamos conhecidos", avaliou Maurício.

Segundo ele, a falta de investimentos contribui para que esses crimes aconteçam. "A Segurança Pública não proporciona segurança jurídica, apoio psicológico, nem capacitação", reclamou.

Em nota, a SSP informou que "o trabalho de combate à violência no Estado é realizado com muito profissionalismo por parte dos policiais, das instituições e do governo do estado".