Após entrevista de Joesley, presidente da OAB diz que Câmara precisa agir sobre Temer

Publicado em 17/06/2017 por Gazeta do Povo

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Claudio Lamachia, defendeu que a Câmara dos Deputados paute o processo contra o presidente Michel Temer. Em nota divulgada neste sábado (17), após divulgação da entrevista do empresário Joesley Batista à revista "Época", Lamachia afirmou que a OAB avalia que Temer cometeu crime ao não agir ao saber que Batista mantinha pagamentos de propinas a agentes públicos.

"A Câmara dos Deputados não pode continuar agindo com cinismo, como se nada estivesse acontecendo no país. O presidente da Câmara deve satisfação à população e, por isso, precisa pautar com urgência a análise dos pedidos de impeachment", afirmou Lamachia, em nota, divulgada em resposta à entrevista de Joesley Batista publicada pela revista "Época".

A OAB já ingressou com pedido de impeachment de Temer na Câmara dos deputados. Esse é um entre a dezena de pedidos que já foram protocolados. A abertura do processo depende do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (PMDB-RJ), aliado de Temer. Também dependerá de Maia a abertura de processo sobre possível denúncia contra Temer que venha a ser feita pela Procuradoria Geral da República (PGR).

O presidente da OAB avalia que as atitudes "pouco republicanas" de Temer devem ser apuradas e julgadas. A demora em seguir com esse processo leva o Poder Executivo a "sangrar", segundo a OAB.

"O Brasil não pode continuar pagando a conta das atitudes pouco republicanas tomadas pelos ocupantes do poder. As autoridades investigadas devem ter assegurado o direito à ampla defesa e ao contraditório, como deve ocorrer com qualquer cidadão investigado. Isso não quer dizer, no entanto, que as instituições chefiadas por essas autoridades precisem ficar sangrando até o fim do processo, causando prejuízo à sociedade e ao pais. É preciso proteger as instituições", disse.

"Líder de organização criminosa"

Em entrevista à Época, Joesley Batista, disse que Temer é o líder da "maior e mais perigosa organização criminosa do Brasil". A entrevista à publicação foi a primeira dada por ele desde que voltou ao Brasil depois de um período no exterior. Batista saiu do país depois de fechar uma delação que estremeceu o governo do peemedebista e voltou nesta semana.

Na organização criminosa liderada por Temer, Joesley também inclui Eduardo Cunha (ex-presidente da Câmara, preso em Curitiba), Geddel Vieira Lima (ex-ministro de Temer, que caiu por acusações de corrupção), Henrique Eduardo Alves (ex-ministro de Temer, preso no começo de junho), Eliseu Padilha (ministro-chefe da Casa Civil) e Moreira Franco (ministro da Secretaria-Geral da Presidência). O dono da JBS os descreve como "turma" que é "muito perigosa", ressaltando que nunca teve coragem de brigar com eles e que, caso se "baixe a guarda", eles "não têm limites".