Baixa nas viagens em julho preocupa setor

Publicado em 19/06/2017 por Jornal do Comércio - RS

Tatiana Prunes
Viajar com a família nas férias escolares de julho continua sendo um desejo de consumo, mas que nem sempre pode ser realizado. As opções são inúmeras, mas o critério para a escolha do destino é basicamente o mesmo, se ele cabe no bolso. O setor, que se movimenta concomitantemente com o dólar, vive um período de hesitação.
"O mercado não está parado, mas também não se encontra aquecido. Não dá para se queixar, poderia estar pior", desabafa o presidente do Sindicato das Empresas de Turismo do Rio Grande do Sul (Sindetur), Paulo Artur Queiroz. Estagnação é o que define a situação da área em um dos períodos de maior incerteza que o País atravessa. "O setor ainda respira um pouco", completa Queiroz.
A procura por viagens internacionais caiu, mas a Europa continua sendo um dos destinos preferidos. A explicação se deve a vários fatores, em especial ao fortalecimento da experiência de viagem da família média brasileira, que, após ter voado pela primeira vez na década de 1990 e ter experimentado viagens pelo Brasil, América do Sul e Estados Unidos, agora vai rumo ao Velho Mundo.
Ainda que as pessoas estejam mais cautelosas e a demanda não tenha atingido o esperado pelas agências de turismo em geral, os negócios seguem apoiados na esperança de uma decisão de última hora. "É possível adquirir pacotes, mesmo sem muita antecedência, porque a realidade é essa. Tudo mudou, e as viagens podem ser programadas poucos dias antes, e não mais antecipadamente, como no passado", garante a diretora da Personal Turismo, Jussara Leite.
A Personal tem registrado consultas diárias, mas a compra, efetivamente, está espaçada. Comparado com 2016, no período em que se refere às férias de julho, a agência vendeu 6% a menos neste ano. Os destinos mais procurados, no entanto, continuam sendo os internacionais, liderando os negócios da agência com 85% das vendas da empresa.
Para a Isatto Turismo, o ritmo da procura por passeios durante o recesso escolar de inverno pode ser considerado baixo. Constatou-se uma retração neste ano de 10 a 15%, comparado com 2016. "Todos os destinos que utilizam transporte aéreo foram prejudicados, por conta da redução do número de voos, principalmente, os nacionais", lamenta o diretor da agência, Danilo Rehl Martins. Quem se programou e comprou a viagem está garantido, mas, a partir de agora, não há mais tempo, restando apenas pacotes de transporte terrestre, completa Martins.