Brasília tem programação cultural para comemorar o Dia Mundial do Refugiado

Publicado em 17/06/2017 por Correio Braziliense Online

Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press
Os dançarinos Mayra Silva, 15 anos, e Daniel de Jesus, 19, se apresentarão ao som do músico Gabriel Piernes, 14
 
Mostras de cinema, feiras culturais, apresentações de música, aulas de gastronomia, oficinas de desenho, pintura e artesanato, são algumas das atividades que compõem a programação de hoje no MigrArte, evento criado para comemorar o Dia Mundial do Refugiado - celebrado oficialmente em 20 de junho. A Agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para Refugiados (Acnur) preparou uma série de atividades para festejar a força, a coragem e a perseverança das pessoas que foram forçadas a deixar suas casas e seus países em razão de guerras, perseguições e outras violações de direitos humanos.

O auditório do Museu da República, na Esplanada dos Ministérios, receberá o show de abertura do evento, às 14h. Logo depois, as atividades para o público, gratuitas, seguem até as 22h. São filmes, documentários, oficinas, espaços criativos e mostras fotográficas. A intenção é promover a integração entre os imigrantes e refugiados do DF, com entretenimento e cultura, e chamar a atenção dos brasilienses para a questão do refúgio. De acordo com levantamento feito pela ONU, existem cerca de 65 milhões de refugiados no mundo.

Entre as principais atrações do MigrArte, está a mostra internacional de cinema Olhares sobre o refúgio, que busca trazer diferentes perspectivas sobre o tema a partir de produções nacionais e estrangeiras. A mostra passou por Curitiba, Porto Alegre e seguirá para o Rio de Janeiro, onde fica em cartaz até 27 de junho. Em São Paulo, será exibida entre 22 e 27 de junho.

O show de abertura também gera grandes expectativas, pois terá um nome conhecido entre refugiados e músicos de Brasília: o garoto Gabriel Piernes, 14 anos. O talentoso pianista brasiliense costuma tocar, desde pequeno, para moradores de rua do Distrito Federal. Ele e a mãe, Pethy Motta, realizam trabalhos sociais com pessoas em situação de vulnerabilidade social. Entre eles, está o resgate de moradores de rua. "Quando eu e minha mãe vamos distribuir sopa para moradores de rua, levo meu teclado e toco para eles", conta Gabriel.

Algumas dessas pessoas que não têm onde morar vieram de outros países e buscam refúgio no Brasil. "Quando encontramos refugiados nas ruas, tentamos ajudá-los a conseguir emprego, a matricular os filhos na escola e a levar uma vida digna", diz Pethy. Além disso, Gabriel toca piano em diversos eventos de embaixadas. Foi assim que a Acnur ficou sabendo do garoto e o convidou para fazer o show de abertura do Dia Mundial do Refugiado.

Animação


Para incrementar ainda mais a apresentação, Gabriel convidou alguns amigos para participarem do show: o bailarino clássico Daniel de Jesus, as irmãs cantoras e bailarinas Mayra e Mariana Silva, o músico Ian Coury, a musicista Rebeca Araujo e os garotos do Instituto Batucar, que usam o próprio corpo para fazer percussão.

A caçula do grupo, Mariana Silva, tem 11 anos e preparou algumas músicas para cantar e dançar ao som do piano de Gabriel. "É maravilhoso ter a oportunidade de fazer parte de um evento tão grande. Quero poder inspirar as crianças refugiadas a cantar e a dançar também", destaca. A irmã dela, Mayra, 15, conta que está ansiosa para a apresentação. "Fico contando os dias e horas para o show. Quero que chegue logo", desabafa.

Daniel de Jesus, morador da Estrutural, é o mais velho dos amigos de Gabriel. O bailarino de 19 anos começou a dançar o estilo em um projeto social no Teatro Nacional e está empolgado para se apresentar no Museu da República. "É um dia muito importante para homenagear aqueles que precisaram fugir de seus países e construir uma vida nova aqui", pontua.

Essa é a terceira edição do evento, que reúne pessoas de diferentes países, origens e culturas. A celebração intercultural aproveitará para comemorar também a Semana do Migrante, que ocorre de 18 a 25 de junho.


Normas brasileiras


A Lei Brasileira de Refúgio criou o Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), órgão interministerial presidido pelo Ministério da Justiça, que lida principalmente com a formulação de políticas para refugiados no país, com a elegibilidade, mas também com a integração local entre eles. A lei garante documentos básicos aos refugiados, incluindo documento de identificação e de trabalho, além da liberdade de movimento no território nacional e de outros direitos civis.

De acordo com o Conare, o Brasil tem quase 9 mil refugiados reconhecidos, de 79 nacionalidades distintas, os principais países são Síria, Angola, Colômbia, República Democrática do Congo e Palestina. A guerra na Síria originou quase 5 milhões de refugiados e a pior crise humanitária em 70 anos. Com o aumento do fluxo no Brasil, o governo decidiu tomar medidas que facilitassem a entrada desses imigrantes no território e a inserção deles na sociedade brasileira. Em setembro de 2013, o Conare publicou a Resolução nº 17, que autorizou as missões diplomáticas brasileiras a emitir visto especial a pessoas afetadas pelo conflito na Síria, diante do quadro de graves violações de direitos humanos. Em setembro de 2015, a resolução teve a duração prorrogada por mais dois anos.