Casos de roubos em coletivos disparam em Niterói em um ano

Publicado em 17/06/2017 por O Globo

Vigilância. Agentes da Polícia Rodoviária Federal são responsáveis pela segurança na Ponte Rio-Niterói, que é uma concessão privada: integração na berlinda - Gabriel de Paiva / Gabriel de Paiva

NITERÓI - O número de roubos em coletivo em Niterói atingiu, de janeiro a abril deste ano, o seu maior nível desde 2014. Foram 119 casos deste tipo registrados, apontam dados do Instituto de Segurança Pública nas delegacias que abrangem o município. É um aumento de 22,6% em relação aos 97 casos registrados em igual período de 2016. O problema, porém, se agrava desde 2015, quando foram registrados 81 roubos deste tipo nos meses analisados.

Em fevereiro deste ano, O GLOBO-Niterói já havia apontado um sinal de alta neste tipo de crime. Na época, foi divulgado um relatório do Sindicato Sindicato das Empresas de Transporte Rodoviário do Estado do Rio de Janeiro (Setrerj) que apontava 931 roubos em coletivos ao longo de 2016, número muito superior aos 391 casos contabilizados nos indicadores oficiais.

E os casos continuam ocorrendo. O professor de História Ricardo Amaral foi assaltado há duas semanas, por volta das 18h, quando ia para uma reunião de trabalho.

- O ônibus estava cheio, eu estava de pé. Eles entraram em São Francisco e no início da Estrada da Cachoeira falaram que era um assalto. Ainda disseram que seria rápido se todo mundo se comportasse. Um deles estava armado, mas não saberia dizer se era de brinquedo ou não - conta.

O antropólogo Lenin Pires, professor adjunto do Departamento de Segurança Pública da UFF, aponta que há uma falta de integração entre as forças policiais que buscam coibir esse tipo de crime em Niterói em locais mais visados, como a Ponte Rio-Niterói.

- A Ponte é federal, só que ao mesmo tempo ela é uma concessão privada. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) deveria fazer o trabalho de controle, mas informações sobre esse tipo de crime deveriam ser compiladas pela PRF em conjunto com as empresas de ônibus e a concessionária que administra a via - opina.

Não foram só os roubos em coletivos a apresentar aumento. Os roubos de veículo, principal indicador para apontar a insegurança, devido a sua baixa subnotificação, cresceram de 511 de janeiro a abril de 2016, para 674 em igual período deste ano, alta de 31,4%.

Outros tipos de roubo, porém, tiveram queda ou se mantiveram praticamente estáveis. Os roubos a transeuntes caíram de 1.124 para 1.011 casos, queda de 10,3%. A diminuição, porém, pode ter sido resultado da greve da Polícia Civil.

O número de homicídios dolosos também caiu no período. De janeiro a abril de 2017, foram 33 casos registrados. Em igual período do ano passado, o número de mortes violentas ficou em 46. Os policiais também estão matando menos: foram 14 mortes provocadas em confronto este ano, contra 24 de janeiro a abril do ano passado.

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