Cautela é chave para reduzir perdas no arroz

Publicado em 19/06/2017 por DCI

19/06/2017 - 05h00

Cautela é chave para reduzir perdas no arroz

Reduzir área plantada ou apostar em locais com maior potencial poderá ser uma saída para que arrozeiros evitem prejuízos. Perpectiva é de recomposição de preços no curto prazo, estima Safras

Alto custo de produção e dificuldade de acesso ao crédito exigem estratégias para safra mais rentável
Alto custo de produção e dificuldade de acesso ao crédito exigem estratégias para safra mais rentável
Foto: Dreamstime

São Paulo - Preços que não cobrem custos de produção e dificuldade de acesso ao crédito exigirão planejamento para que o produtor de arroz tenha lucro na próxima safra. A cautela será a palavra de ordem no ciclo 2017/2018, que começa a ser semeado em setembro.

"O arrozeiro terá que planejar muito bem antes de investir", alerta o presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Estado do Rio Grande do Sul (Federarroz), Henrique Dornelles.

Para ele, diante da possibilidade de prejuízo, o produtor não deve plantar ou deve escolher áreas mais favoráveis a altas produtividades para cultivar no próximo ciclo. "É melhor diminuir a área do que ter prejuízos." Estratégias como travar os preços de parte da lavoura e negociar com as indústrias melhores condições para a venda também podem ser alternativas importantes para garantir rentabilidade na próxima safra.

Dornelles explica que a preocupação se deve ao fato de que o próximo ciclo não deve ser muito diferente do atual. O preço da saca de 60 quilos de arroz aumentou 1,77% na última semana, para R$ 39,73 a saca de 60 quilos no Rio Grande do Sul, principal produtor brasileiro do cereal. Ainda assim, o valor é 15% inferior aos praticado no mesmo período do ano passado e não é suficiente para cobrir os custos de produção, estimados pelo Instituto Rio-grandense do Arroz (Irga) em R$ 44,75 por saca na safra 2016/2017. "Ainda que estejam acima do preço mínimo do governo, de R$ 35,94, os valores não remuneram", afirma.

Na safra que se encerra neste mês e tem quase toda a área colhida, a produção atingiu 12,1 milhões de toneladas, incremento de 14,4% segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A produção volta aos níveis normais após uma safra com perdas de 17% em razão do clima.

A área plantada recuou 1,6% em relação à safra passada, para 1,9 milhão de hectares. A produtividade cresceu 16,3%, para 6,1 mil quilos por hectare.

Dificuldades

O alto custo da lavoura é o principal problema do produtor, diz Dornelles. "A energia, o diesel e a mão de obra estão cada vez ais pesados para o produtor", diz o dirigente.

Ele também lista como entrave a dificuldade de acesso ao crédito nos bancos. "Como os produtores vêm de safra com prejuízos, não conseguem ter crédito aprovado nas instituições financeiras e recorrem às indústrias", diz Dornelles.

Esses fatores fazem com que muitos produtores troquem o cultivo de arroz pela soja. "Nós não indicamos isso, pois exige conhecimento da nova cultura. Ainda mais no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, onde as várzeas são mais indicadas para o arroz." Ele é um exemplo desse movimento. A área que administra, em Alegrete (RS), conta hoje com 1 mil hectares de arroz e 150 hectares de soja. "A intenção é, nos próximos cinco ou seis anos, inverter essa proporção, para que tenhamos, no máximo, 600 hectares de arroz", projeta .

Mas nem só de más notícias vivem os arrozeiros. A perspectiva é de recomposição de preços, estima o consultor de commodities da Safras, Élcio Bento. Ele explica que, com o fim da colheita, a pressão para recuo nos preços cessa.

Outro fator positivo é a alta do dólar, que deve reduzir as importações e favorecer o produto local. "Com essa valorização, fica mais caro importar e o arroz nacional deve valer mais", estima. Ele observa que com estoques de passagem de apenas 400 mil toneladas na transição para o ciclo 2017/2018, aumenta a demanda pelo produto, para recompor os armazéns. Os estoques estão menores que os da passagem da safra passada para a atual, que contava com 1,5 milhão de toneladas.

Por outro lado, o produto brasileiro está mais barato que o americano, cotado a R$ 41,29 na bolsa de Chicago, o que favorece as exportações. "Não será uma retomada em relação aos preços do ano passado, mas uma melhora gradual diante dos preços atuais", pondera o analista.

Marcela Caetano

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