Copa das Confederações começa neste sábado no quintal de Vladimir Putin

Publicado em 17/06/2017 por Folha de S. Paulo Online

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A Rússia abre suas portas para o mundo do futebol neste sábado (17). Às 12h, a seleção local entra em campo para enfrentar a Nova Zelândia na partida de abertura da Copa das Confederações. E em uma nação na qual política e esporte se misturam muito facilmente, não há palco mais simbólico do que São Petersburgo para os russos iniciarem a primeira competição da Fifa em seu país.

Foi lá -quando a cidade ainda se chamava Leningrado- que Vladimir Putin nasceu e construiu sua carreira na vida pública até chegar à presidência da Rússia. De oficial da KGB, subiu degrau por degrau até alcançar o Kremlin. Como não poderia deixar de ser, marcará presença nas tribunas do estádio para assistir ao jogo.

Presidente do comitê organizador da Copa e da União Russa de Futebol, Vitaly Mutko também é de São Petersburgo e esteve ao lado de Putin durante a maior parte de sua trajetória política. Além disso, foi presidente do Zenit, o clube mais famoso do município e um dos mais ricos e poderosos do país.

A realização da Copa das Confederações neste ano e do Mundial no próximo encerra uma série de megaeventos no país, iniciada em 2013, quando Kazan recebeu a Universíade, e Moscou o Mundial de atletismo, passando pelos Jogos de Inverno de Sochi-2014.

"Cada um destes projetos serviram de múltiplas maneiras para Putin: para propagar a imagem da Rússia como um grande poder, para prover estímulo econômico a uma economia que atravessava um momento difícil e para prover recursos do Estado para aqueles que estão em posição de lucrar com isso. Como nos tempos soviéticos, o principal objetivo foi ideológico e econômico, uma demonstração do prestígio e progresso do país", analisa Steven Lee Myers, repórter do jornal americano "The New York Times", no livro "O Novo Czar, a Acensão e o Reinado de Vladimir Putin".

Mostrar que a Rússia é um país aberto e com excelente infraestrutura parece ser uma obsessão do comitê organizador e do governo.

"Nosso país está recebendo a cada ano 15% mais turistas. Queremos mostrar que somos um país confortável para qualquer visitante", afirmou Mutko, que também é vice-primeiro ministro para Esporte, Turismo e Políticas da Juventude.

Em um momento em que há criticas e protestos contra Putin, como os da última segunda (12), que teve cerca de mil detidos, Mutko diz que o governo não teme manifestações durante o torneio.

"Não estamos esperando protestos. Eu não sei ao que vocês [jornalistas] podem estar se referindo, se tem algo a ver com o que aconteceu no Brasil antes da Copa das Confederações e do Mundial. Vivemos uma situação estável na política", disse, ignorando as manifestações em seu próprio território.

Ao mesmo tempo em que a Rússia quer se mostrar ao mundo como capaz de organizar grandes eventos esportivos, sofre com um escândalo de doping que tirou uma boa parte de seus atletas da Olimpíada do Rio e impediu o país de ser representado nos Jogos Paraolímpicos.

Devido ao escândalo, o laboratório de Moscou que faria os exames antidoping da Copa das Confederações e do Mundial foi suspenso pela Wada (Agência Mundial Antidoping). Com isso, todos os testes serão feitos na Suíça.

SEGUNDA CAPITAL

São Petersburgo será o "coração" da Copa das Confederações. A Arena Zenit será sede não apenas da abertura, como da final, em 2 de julho. Lá também está instalado o quartel general da Fifa, com toda sua cúpula.
A capital Moscou ocupará um papel secundário, não sediando nem sequer as semifinais. A cidade receberá quatro jogos, entre eles a disputa pelo terceiro lugar.

Na Copa de 2018, Moscou deverá voltar a ser o centro de atenções. A capital receberá a abertura e a final. Ambas serão realizadas no Estádio Luzhniki, com capacidade para 81 mil espectadores, que será inaugurado em outubro ou novembro.

Do ponto de vista de organização e venda de ingressos, a escolha de São Petersburgo como cidade mais importante da Copa das Confederações é lógica por causa da infraestrutura. A Arena Zenit é o estádio com maior capacidade do país em funcionamento: 68.134 lugares.

Ela demorou dez anos para ser construída, consumiu US$ 841 milhões pela cotação atual (R$ 2,7 bilhões). Mesmo com tanto dinheiro e luxo", há incerteza se o gramado resistirá, uma vez que só ficou totalmente pronto nesta semana.