Deputados criticam cortes de meio bilhão de reais na Saúde do MA

Publicado em 15/06/2017 por O Estado do Maranhão

Edilázio Júnior e Wellington do Curso criticaram Dino

Os deputados estaduais Wellington do Curso (PP) e Edilázio Júnior (PV) voltaram a repercutir na Assembleia Legislativa o escândalo de corrupção envolvendo o Instituto de Desenvolvimento e Apoio à Cidadania (Idac) e a Secretaria de Estado da Saúde (SES) do Maranhão.

Depois de propor a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar os desvios promovidos pelo instituto - segundo a Polícia Federal, foram retirados R$ 18 milhões da saúde pública estadual -o parlamentar do PP criticou a campanha publicitária iniciada pelo governo Flávio Dino (PCdoB) nos dias que sucederam a Operação Rêmora.

Nos 5 anos do governo passado, os contratos com o Idac somaram R$ 88 milhões. Em 2 anos do governo Flávio Dino, chegou-se a R$ 248 milhões. Só no três primeiros meses desse ano foram gastos mais que todo ano de 2014 com o Idac" Edilázio Júnior, deputado estadual

Segundo uma das peças, os comunistas "economizaram" meio bilhão de reais com cortes no setor.

Para Wellington, o governo "deveria ter vergonha" de comemorar esse tipo de economia "num setor tão importante e tão precário". Ele citou, por exemplo, o cenário de sucateamento de algumas unidades.

"Para tentar abafar a reportagem do Fantástico, que denunciou corrupção na Saúde do Maranhão, o Governo Flávio Dino divulgou um banner falando que o governo gerou economia no setor, um verdadeiro absurdo. Senhor governador, eu teria vergonha de divulgar que o governo economizou na Saúde. Como pode se economizar na Saúde com a população padecendo para conseguir uma consulta, para conseguir uma cirurgia? Como se pode economizar na Saúde faltando medicamentos aos pacientes? Como se pode economizar na Saúde com a situação precária dos hospitais e UPAs do Maranhão?", questionou.

Ele destacou, ainda, o fato de que, enquanto economiza com Saúde, o governo comunista incrementa os gastos com Comunicação.

"O senhor governador aumentou a Comunicação em mais de 15 R$ milhões. Como um governador pode se vangloriar de economizar na Saúde? É uma vergonha divulgar essa informação. Economiza na Saúde para gastar em propaganda mentirosa dizendo que a Saúde vai bem, repito, isso é uma vergonha", finalizou.

Destino

Já o deputado Edilázio Júnior tratou especificamente dos saques de recursos da Saúde feitos por funcionários do Idac diretamente na boca do caixa de uma agência bancária. Para o oposicionista, o dinheiro tinha destino direcionado.

"O saque em dinheiro com certeza é para entregar para alguém. Ninguém vai sacar dinheiro para pagar conta. Se você tem conta para pagar, você faz o TED, leva o boleto no banco, efetua o pagamento e evita até o risco de assalto. O recurso era para ser entregue para alguém. Não tenho dúvida", disse.

Edilázio atribuiu incoerência ao Governo no que diz respeito aos contratos com o Idac, uma vez que em 2015 o secretário de Estado da Transparência, Rodrigo Lago, havia declarado que o instituto teria sido beneficiado com superfaturamento na gestão anterior. Os contratos com a atual gestão, contudo, elevaram os valores ao Idac.

"E o que chama mais atenção nisso tudo, é que o secretário Rodrigo Lago em 2015, disse que o Idec tinha um superfaturamento em 30% no governo passado. E aí me vem o Governo Flávio Dino, sem licitação, chama o Idac para trabalhar para ele, logo após o secretário falar do superfaturamento", disse.

CPI pode ser contaminada por política partidária, diz líder

O líder do governo na Assembleia, deputado Rogério Cafeteira (PSB), disse ontem ser a favor de investigações na Saúde, mas pontuou ser contra a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), por entender que não deve haver contradições no tratamento das investigações, já que, no início da legislatura, em 2015, uma CPI foi aprovada, mas deixou de ganhar fôlego, por um entendimento comum entre os deputados em esperarem que os órgãos de controle e fiscalização, finalizassem suas investigações.

Segundo ele, naquela ocasião a decisão foi tomada para que a questão política não prevalecesse na CPI e, posteriormente,os deputados fossem acusados de promover linchamento moral de algum investigado.

Cafeteira disse, ainda, acreditar que uma CPI, neste momento, poderia ser contaminada por questões político-partidárias, o que pode acabar influenciando na condução da mesma. Ele afirma que o mais prudente é que os órgãos de controle e fiscalização continuem se posicionando à frente das investigações, para garantir a maior isenção possível.

Rogério Cafeteira defendeu que, com a proximidade das eleições no ano que vem motiva esse tipo de movimentação dentro da Assembleia, mas orientou os colegas para que não embarquem em um discurso fácil e demagógico. Cafeteira estranhou que, apesar da grande vontade do deputado Wellington do Curso atualmente em instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito, o colega parlamentar simplesmente se omitiu em ocasião anterior, quando a CPI da Saúde foi instalada no início da legislatura.

Leia mais notícias em OEstadoMA.com e siga nossas páginas no Facebook, no Twitter e no Instagram. Envie informações à Redação do Jornal de O Estado por WhatsApp pelo telefone (98) 99209 2564.