Distrito Federal tem a pior atenção bucal do país

Publicado em 07/01/2016 por Correio Braziliense Online

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
Segundo a Secretaria de Saúde, faltam 98 cirurgiões-dentistas e 239 técnicos na capital federal
 

 

O lavador de carros José Maria da Silva Cavalcante, 56 anos, esperou três anos por uma dentadura nunca entregue pela rede pública. Ele vive na unidade da Federação com a pior cobertura de saúde bucal do país. Atinge apenas 27,17% da população, segundo indicadores do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus) - a média nacional é de 52,82%. "O médico que me atendeu contou a verdade. À época, ele me disse que havia mais de 8 mil pessoas na minha frente no HUB (Hospital Universitário de Brasília) e de 3 mil no Hran (Hospital Regional da Asa Norte). Tentei mais de três vezes, mas nunca davam previsão", reclama o morador da Vila Planalto. Angustiado com a demora, pagou R$ 250 e comprou a prótese.

A capital federal perde para Maranhão (61,12%), Piauí (93,46%) e Acre (66,44%), os três estados considerados mais pobres do Brasil, na disponibilidade do tratamento dentário. O deficit de 98 cirurgiões-dentistas e de 239 técnicos é usado como justificativa pela Secretaria de Saúde para a falha. Existem 12 centros especializados em odontologia (CEOs) na rede pública, segundo o Ministério da Saúde, quando deveria haver um total de 33. Atualmente, 85 equipes atendem nos laboratórios da especialidade, abaixo das 180 recomendadas. No ano passado, duas unidades de atendimento perderam o credenciamento do Ministério da Saúde, de acordo com o Memorando nº 136, de 2015, da Gerência de Odontologia.

A crise nos hospitais regionais do Gama, de Ceilândia, da Asa Norte e de Taguatinga esbarra em percalços como a falta de médicos. As unidades de pronto atendimento (UPAs) estão "com capacidade quase que zerada de prestação de serviços emergenciais", segundo o documento. A situação chegou ao ponto de o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) reconhecer a penúria e garantir que profissionais serão contratados. Porém, sem data prevista. Ontem, durante reunião com diretores de hospitais e a secretária adjunta de Saúde, Eliane Ancelmo Berg, o socialista estimou que o deficit na área chega a mil servidores.

Precário
Em cinco anos, o Ministério da Saúde investiu R$ 16,6 milhões na saúde bucal do Distrito Federal. Em 2015, a capital recebeu R$ 4,02 milhões - número 210% maior em relação a 2010, quando o governo federal disponibilizou R$ 1,2 milhão. Contudo, o caseiro Donizete Pedro de Moura, 58, não percebeu os investimentos. Ele está na lista de espera para fazer o tratamento e receber a dentadura há mais de um ano. "Disseram no hospital que duas pessoas eram atendidas por semana. Não tem o que fazer. A dentadura faz muita falta. Comer carne, por exemplo, é muito difícil. Nunca consegui uma data provável de atendimento", lamenta o homem, que ganha R$ 880 por mês.

A Secretaria de Saúde não divulgou o número de dentaduras distribuídas no ano passado, tampouco a fila de espera. A pasta detalhou que há 485 cirurgiões-dentistas. Desses, 80% na atenção primária - serviços ambulatoriais, periodontia básica, pequenas cirurgias, odontopediatria e prevenção. Há 307 técnicos de enfermagem no setor. "Existe um problema no sistema de informática. Temos dificuldades de repassar os dados de atendimento ao Ministério da Saúde. O programa é precário, e a rede não é totalmente informatizada. Não temos problema de falta de insumos, por exemplo. Precisamos de mais dentistas, mas não tem como nomear de imediato. A previsão é que isso aconteça ainda no primeiro trimestre", explicou o coordenador de Rede da Secretaria de Saúde, Júlio Isidro.

 

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