Em busca de um denominador comum

Publicado em 19/06/2017 por Zero Hora


Foto: Edu Oliveira / Arte ZH

Em raros momentos de sua história, o Brasil precisou tanto de menos projetos de poder e mais projetos de país. Poucas vezes se ressentiu tanto da falta de consensos mínimos. Da desocupação de prédios públicos à definição sobre o mandato presidencial, tudo está contaminado pela visão imediatista de uma disputa em que só importa ter razão e retirá-la do oponente.

O espaço da moderação estreitou-se perigosamente. E é este espaço que os brasileiros precisam recuperar, com base no diálogo e na concepção de que divergências de qualquer ordem não transformam seres humanos em inimigos que precisam ser derrotados. A prioridade se amplia com a proximidade da eleição presidencial de 2018.

Desde o processo de impeachment, passando pela troca de comando na Presidência e pela exposição da forma como os políticos financiavam suas campanhas, o país vem se dividindo com tal intensidade, que, a cada dia, parece mais difícil encontrar qualquer margem para diálogo. Até mesmo os poderes e suas instituições, que até agora vinham garantindo a estabilidade política - e, em consequência, a própria democracia - se mostram em guerra. Submetem-se assim ao risco de um perigoso e indesejável desgaste.

É preciso que a sensatez prevaleça. Sem ela, só restará o abismo como alternativa final.

Por mais que, em meio a tantos conflitos simultâneos, seja difícil dialogar com sensatez, o país precisa buscar consensos mínimos em torno de questões vitais para os brasileiros. Ninguém põe em dúvida que a situação econômica é difícil. Até porque todos os brasileiros arcam com os custos, sob formas que vão desde prejuízos financeiros até a perda do emprego - e a dificuldade de encontrar outro. Ainda assim, falta um apoio mais incisivo às reformas, sem as quais a estratégia da equipe econômica fica prejudicada.

O país precisa criar as condições para um diálogo construtivo em torno de pressupostos mínimos para o desenvolvimento, como a educação. Sem essa disposição das partes hoje em conflito para conversar, restarão apenas os ódios, que ajudarão apenas o país a se dividir mais ainda, quando precisa é de união em torno de pontos mínimos de convergência.

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