Evidências no ensino de Engenharia

Publicado em 13/06/2017 por O Estado do Maranhão

Evidências no ensino de Engenharia

Com o intuito de melhorar o rendimento acadêmico em Física dos ingressantes nos cursos de Engenharias, a Estácio introduziu há pouco mais de 2 anos a disciplina Bases Físicas para Engenharia. Entre os objetivos, estava o de adequar o ensino, customizando-o ao perfil dominante dos ingressantes, em geral com formação anterior deficiente.

A disciplina foi projetada para ser um dos paradigmas do projeto inovador Ensino 2020, tendo nascida híbrida (presencial e a distância) e baseada na plataforma inovadora SAVA (Sala Virtual de Aprendizagem). Neste ambiente interativo, o educando acessa vídeoaulas ministradas pelos melhores professores de Física do país, textos, objetos de aprendizagem, resolução interativa de exercícios, orientação para realização de atividades práticas etc.

Fruto do aumento de acessibilidade ao ensino superior e da maior demanda por profissionais com conhecimentos técnicos, tecnológicos e científicos mais profundos, a opção por cursos de engenharias é uma marca dos tempos atuais. O incremento da participação do setor privado no ensino superior implicou em maior oferta de cursos no período noturno, viabilizando que profissionais que trabalham durante o dia pudessem cursar engenharia.

Diferentemente de cursos nas áreas de gestão, licenciaturas ou de tecnólogos de nível superior, as carreiras em Engenharias exigem uma base diferenciada de conhecimentos preliminares de Matemática e Ciências. Em geral, esses ingressantes não as têm no nível desejado, demandando, portanto, a adoção de medidas extraordinárias. Com o intuito de diminuir a grande reprovação em disciplinas iniciais, a partir de 2015, os ingressantes em cursos de Engenharias, antes de cursarem as disciplinas tradicionais de Física, passaram a cursar "Bases Físicas para Engenharia".

Os resultados preliminares são surpreendentemente positivos, atestando de forma inequívoca que o caminho adotado de introduzir uma disciplina preparatória está sendo bem-sucedido. Submetidos os alunos ao mesmo rigor e exigência, o índice de reprovação que era de 54,3 % em Física I em 2015/2 caiu para 19,7% em 2016/1. A consistência permanece em Física II, onde a reprovação que era de 32,3% foi reduzida para 11,7%. Em termos práticos, mais de um terço da turma que tipicamente era reprovada, com enormes chances de abandono, foram aprovados. Ressalte-se que com grandes possibilidades de cumprirem com sucesso seus planos de se tornarem engenheiros, dado que as reprovações nos anos seguintes retornam aos níveis de normalidade.

Em suma, trata-se de exemplo simples de abordagem educacional que viabiliza àqueles que, em geral, seriam assumidos como incapazes de cursar engenharias, por falta de bagagem preliminar em Ciências e Matemática, uma vez expostos à correta abordagem educacional, possam obter sucesso. Esses alunos que lograram êxito na superação de suas deficiências anteriores, ao atingirem o nível desejado, não são simplesmente iguais àqueles que, eventualmente, já apresentavam os rendimentos esperados. Eles são melhores, dado que atingiram o mesmo patamar, mas incorporaram algo a mais: a capacidade da superação e aumento da autoestima.

São essas evidências que dão solidez às teorias, sobre as quais, em geral, temos somente opinião prévia antes que o exercício prático no campo real nos dê a devida segurança. É sim possível customizar trilhas educacionais, dirigidas a propósitos e educandos específicos.

Ronaldo Mota

Reitor da Universidade Estácio de Sá

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