Imóvel abandonado é invadido em São Francisco

Publicado em 17/06/2017 por O Globo

Casarão onde funcionaram, até 2013, o restaurante Temporario e a boate Club Red está depredado e com tapumes quebrados - Agência O Globo / fabio guimarães

Cheia de restaurantes e prédios residenciais, a orla de São Francisco tem um trecho que vem sendo evitado por moradores e frequentadores do bairro: o cruzamento da Avenida Quintino Bocaiúva com a Rua Aimorés. O imóvel localizado na esquina onde funcionaram, até 2013, o restaurante Temporario e a boate Club Red está abandonado, sendo invadido por moradores de rua e saqueadores que levam o que resta de materiais da antiga construção. Segundo moradores, à noite o local é ocupado por usuários de drogas.

- Está muito perigoso, porque danificaram os tapumes e o acesso está liberado. Entram aí e ninguém sabe o que acontece. Aqui costumam passar muitos estudantes. É perigoso, porque um dia podem querer fazer alguma maldade com uma jovem. O movimento maior é à noite, quando o entra e sai de viciados é maior - conta Carlos Augusto Varela, que trabalha no restaurante Noi, localizado na esquina oposta ao imóvel invadido.

Na última quarta-feira, a equipe do GLOBO-Niterói esteve no local e viu um homem recolhendo ferragens e materiais que restam da estrutura do prédio. Numa carroça parada na calçada, ele arrumava o que conseguia pegar. Abordado, o homem se negou a falar, e disse apenas que estava "trabalhando".

Uma moradora que pediu para não ser identificada afirma que o grupo que circula pelo local à noite é agressivo e intimidador.

- Não passo ali à noite porque tenho muito medo. É uma gente drogada, que nos olha com raiva, dando a impressão de que pode atacar a qualquer momento. Vagam igual a zumbis, a noite toda - conta.

De acordo com a prefeitura, o Departamento de Fiscalização de Posturas realizará um levantamento dos dados do proprietário do imóvel abandonado por meio do sistema da Secretaria de Fazenda para que ele seja notificado a fazer a limpeza e manter o local fechado, de forma a impedir as invasões. A equipe de abordagem da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos não tem autorização para entrar em propriedades privadas, mas a prefeitura diz que o órgão atua no entorno do imóvel e que intensificará as ações na orla de São Francisco nas próximas semanas. Ainda segundo o município, uma equipe esteve no local na tarde de ontem e não encontrou ninguém no imóvel.

A prefeitura informa também que a Guarda Civil Municipal realiza patrulhamento preventivo e constante na orla de São Francisco e pede que os moradores do bairro acionem os agentes de plantão no Centro Integrado de Segurança Pública (CISP) "em caso de flagrantes de atividades ilegais no local, pelo número 153".

Foco de 'Aedes aegypti'

Vizinha do imóvel, a psicóloga Mirian Santiago diz que há uma cisterna cheia de água no interior da casa, que serve de foco para mosquitos Aedes aegypti.

- Eu, meu marido e meu filho tivemos zika no ano passado. Agora, com o frio, houve uma diminuição na quantidade de mosquitos, mas, se ninguém fizer nada para tirar a água parada que se acumula ali, eles vão voltar com o calor. Não adianta eu e os meus vizinhos fazermos a nossa parte e mantermos o quintal limpo com esse foco de mosquitos do nosso lado - reclama.

A Fundação Municipal de Saúde (FMS) informou que enviará uma equipe do Centro de Controle de Zoonoses para vistoriar o local. "Caso tenha indícios de foco de mosquito, o proprietário do imóvel será acionado", informa, também através de nota, ressaltando que "a FMS não tem autorização para entrar no imóvel, apenas depois de notificar o dono e abrir um processo".

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