In Press supera CDN em faturamento

Publicado em 19/05/2016 por Valor Online

As maiores agências de comunicação do país não conseguiram fechar 2015 com crescimento real no faturamento. No início deste ano, a piora do ambiente de disputa entre as empresas, com aumento das concorrências pelas contas, pode reduzir preços de contratos e voltar a afetar receitas.

Levantamento da empresa Mega Brasil, que realiza o anuário da comunicação corporativa, mostra um pequeno aumento nominal de cerca de 2% no faturamento do setor em 2015. No grupo das dez maiores agências, a expansão foi de 4,7%, para R$ 668,7 milhões. Os índices ficam abaixo da inflação de 10,67% medida pelo IPCA/IBGE no ano passado - portanto, não houve crescimento real.

Nas primeiras colocações do ranking do setor, a FSB cresceu 4%, o grupo In Press registrou alta de 13,7% e a CDN apurou queda de 11,7% na receita bruta. Com esses desempenhos, a CDN caiu para a terceira posição na lista das dez maiores agências em 2015 (foi a segunda em 2014), superada pela In Press. A FSB manteve a liderança.

O levantamento calcula que o mercado como um todo, que reúne de 800 a mil agências de comunicação no país, tenha faturado entre R$ 2,2 bilhões e R$ 2,37 bilhões no ano passado. São estimativas, porque parte dos dados não foram informados pelas companhias e foi feita uma projeção, com apoio do publicitário Maurício Bandeira de Melo, do Instituto Corda, com foco em pesquisas.

Não há indicadores de rentabilidade no estudo, mas considerando um ambiente com mais pressões sobre os custos e expansão tão tímida em receita - o que impede maior diluição dos gastos - é provável que a lucratividade das companhias tenha sido afetada.

Em termos de índices de produtividade, a FSB faturou R$ 210 milhões em 2015 para um conjunto de 700 empregados; a In Press, R$ 115 milhões para 507 funcionários e a CDN, R$ 93 milhões para 348 empregados, de acordo com Eduardo Ribeiro, diretor da Mega Brasil.

Segundo ele, cálculos do mercado consideram uma receita por empregado no Brasil na faixa de US$ 70 mil ao ano, sendo que nos EUA, esse número estaria em cerca de US$ 140 mil. "Ainda há espaço grande para se ampliar a eficiência das empresas", diz.

Ribeiro observa que as grandes e médias empresas impediram uma queda no faturamento geral em 2015, puxando o indicador para cima, enquanto as pequenas agências têm sentido mais duramente a crise e a mudança no modelo de negócio, com foco maior no segmento digital. "Grandes grupos se organizaram oferecendo novos serviços. Com isso, acabam concentrando receita maior do mercado".

Ele identifica uma movimentação maior na abertura de concorrências pelas contas corporativas neste início de ano, e isso tende a abrir espaço para o fechamento de contratos em valores mais baixos. É reflexo de um processo de revisão de despesas por parte dos clientes, que fecharam orçamentos para 2016 com verbas menores ou com menor crescimento.