Investidor, eu?

Publicado em 18/06/2017 por A Gazeta - MT

Na década passada um grupo de 210 moradores da cidade de Bauru se reuniram e criaram um clube de investimento para aplicar na bolsa de valores - Bovespa - e com o capital montar uma escola infantil de grande porte. Começaram com uma aplicação mensal de R$ 50 reais cada um. Em dois anos construíram o educandário que conta com mais de 200 alunos, 20 profissionais contratados e renda líquida acima de R$ 300 mil.

O exemplo mostra que é possível a qualquer cidadão comum investir. E mais importante ainda: Apresenta o quanto podemos apostar na geração de empregos e na formação de um patrimônio que tenha função social, gerando resultados benéficos para toda sociedade.

Um país não vive sem poupança, sem investimentos. É com recursos advindos dela que a nação investe em saneamento, educação, transportes, moradia. O Japão é um exemplo a ser seguido: após as consequências desastrosas da 2ª guerra mundial, o sofrimento dos japoneses ensinou o povo a ser precavido, poupar e se transformar em uma das maiores economias mundiais.

Para que investir se eu não sei qual futuro terei? Por que vou investir agora e não gozar do que ganhei se nem sei quantos anos viverei? São frases como essas, ditas no dia-a-dia e plantadas no passado por quem nem conhecemos, que ficaram populares e merecem uma reflexão mais profunda.

Quando casamos pensamos em viver quantos anos? E o plano de ter filhos é para conviver com eles apenas alguns meses? Analisando a questão percebemos que os planos são de vida e não de morte. Então, por que quando se trata de dinheiro invertemos os valores e fazemos planos de morte?

Nossos hábitos de ganhar para gastar e de viver pensando somente em consumir trazem resultados indigestos e consequências calamitosas. Vemos famílias se esfacelarem por questões financeiras todos os dias, brigas homéricas entre casais, pais e filhos, patrões e funcionários, e até amigos perdem amizade por questões envolvendo dinheiro.

Outra dificuldade é o costume de achar que investir é para ricaços, o que não é verdade. Investir é para todos e já existe até a possibilidade de comprar Títulos do Tesouro Nacional com apenas duzentos reais. Acesse o site, leia, informe-se, veja as corretoras credenciadas, cadastre-se e receba uma senha. Pronto! Já estás em condições de comprar títulos do governo federal com segurança do capital, da renda, da liquidez e do sigilo.

Para quem quer negociar junto ao gerente de banco, procure os fundos administrados por eles: oferecem bons rendimentos e segurança. Mas cuidado com as taxas cobradas, elas podem pegar parte grande do capital aplicado.

Outra opção, além de comprar ações, são os clubes de investimentos, como o de Bauru. Junte alguns amigos, chame seu consultor, o contador e pronto. Todos juntos aprendendo coisas novas, se divertindo e ainda ganhando dinheiro. Pense nisso, mas pense agora!

Saulo Gouveia é consultor financeiro e organizacional, atua oferecendo novos significados para viver as virtudes em abundância. Articulista de A Gazeta, escreve neste espaço aos domingos.