J&F; confirma assinatura de acordo com Arauco para venda da Eldorado

Publicado em 17/06/2017 por Jornal do Comércio - RS

A J&F, empresa dos irmãos Joesley e Wesley Batista, confirmou a assinatura de um acordo de confidencialidade com a Arauco sobre as negociações entre os dois grupos envolvendo a produtora de celulose Eldorado, que tem uma fábrica em Três Lagoas (MS).
"A J&F Investimentos confirma a assinatura de acordo de confidencialidade com Arauco para análise de eventual transação envolvendo a Eldorado Brasil Celulose S.A.", informou a holding dos Batistas em nota encaminhada à imprensa. Antes, a Arauco já tinha comunicado a assinatura do acordo de confidencialidade, na esteira da notícia publicada pelo Valor Econômico de que o grupo chileno teria feito oferta superior a R$ 11 bilhões, incluindo dívida, para comprar a Eldorado.
Os dois irmãos estão negociando pessoalmente a venda de parte de seus ativos. Com exceção da Vigor, que tem o Bradesco e o Santander contratados pela família, investidores interessados em outros negócios da companhia - que incluem desde Alpargatas até ativos da área de energia -, têm falado diretamente com os dois controladores do grupo.
Fontes próximas ao JBS ouvidas pela reportagem afirmaram que os irmãos Batista não descartam vender uma parte dos ativos do grupo nos Estados Unidos, onde estão concentradas as operações de carne. Mas, o objetivo, segundo essas mesmas pessoas, é preservar ao máximo essa divisão de negócio, que deu origem à companhia e responde por mais de 80% do faturamento do grupo, de R$ 170 bilhões em 2016.
Desde que vieram à tona as delações dos irmãos Batista, há um mês, o valor de mercado do JBS caiu 30%, para R$ 18 bilhões, de acordo com levantamento da Economática.

Troca de mensagens para marcas Flora

Nas últimas semanas, Joesley Batista trocou mensagens e retornou ligações de banqueiros e executivos do mercado financeiro para dar o aval para a venda de algumas marcas de produtos da Flora, divisão de higiene e limpeza do grupo; e negociar a venda da Eldorado, divisão de papel e celulose da companhia. 
Mesmo na Eldorado há concorrentes brasileiras Fibria e a Suzano também têm interesse no ativo, cuja dívida beira R$ 8 bilhões, segundo pessoas próximas às duas companhias. A família tem pressa para vender esse negócio. Além de ter cerca de R$ 3 bilhões em dívidas que vencem no curto prazo, a companhia tem de levantar recursos para arcar com o acordo de leniência, fechado em R$ 10, 3 bilhões, segundo fontes.
Além da Eldorado, o grupo já está em conversas adiantadas para a venda da Vigor, segundo fontes. O grupo tinha recebido proposta no início do ano da americana Pepsico e da mexicana Lala, mas as conversas não foram adiante. Avaliada em R$ 6 bilhões àquela época, fontes afirmaram que os irmãos Batista vão ter de rever esse valor para poder concluir a transação.
Um alto executivo de um banco de investimento informou que os desinvestimentos por parte da J&F podem movimentar mais de R$ 20 bilhões. O mercado brasileiro de fusões e aquisições movimenta por ano entre R$ 100 bilhões e R$ 150 bilhões de negócios concretizados.

Fundos olham Alpargatas

No caso da Alpargatas, que a J&F adquiriu da Camargo Corrêa, por R$ 2,7 bilhões, os fundos Tarpon e Carlyle têm interesse de olhar o negócio - os dois já tinham conversado com a Camargo Corrêa no passado, mas foram preteridas pela J&F, que levou o negócio. Os dois fundos têm interesse em retomar as negociações, mas ainda não fizeram movimento nesse sentido. Ainda não há banco contratado para vender esse negócio, mas deve ser anunciado em breve. Procurados, os fundos Carlyle e Tarpon não comentaram o assunto.
Apesar de ter sido sondado para a venda de algumas marcas da empresa Flora, não há comprador firme para o negócio. O mesmo ocorre com o banco Original, segundo fontes.
Procurada, a J&F não comenta a venda de nenhum ativo e suas empresas seguem com as operações regulares, dentro do plano de negócios.