Japão: BC mantém política monetária e avaliação da economia

Publicado em 16/06/2017 por Valor Online

TÓQUIO - O Banco do Japão (BoJ, o banco central) decidiu nesta sexta-feira manter a atual política monetária, preservando seu programa de estímulo agressivo destinado a aumentar a inflação, que insiste em ficar próxima a zero apesar de outros pontos da economia estarem brilhando. A decisão, tomada ao fim de dois dias de reuniões, vem menos de dois dias depois que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) elevou as taxas de juros pela terceira vez em seis meses, apesar da fraqueza renovada na inflação dos Estados Unidos. O Fed também forneceu mais detalhes sobre como planeja cortar seu balanço patrimonial, um tópico que o banco central do Japão está gradualmente incluindo em sua pauta depois de meses insistindo que ainda era muito cedo para discuti-lo. A decisão do conselho do BoJ ocorreu por 7 votos a 2. Os conselheiros decidiram manter a meta de rentabilidade dos títulos da dívida pública japonesa com prazo de dez anos em torno de zero. Já a taxa de juros de curto prazo para depósitos de bancos privados custodiados no banco central foi mantida em território negativo de 0,1%, conforme esperado pelos economistas. O BoJ também reiterou que continuará a comprar títulos do governo em um ritmo anual de cerca de 80 trilhões de ienes (US$ 720 bilhões), para expandir a base financeira e estimular a economia. Controlar as taxas de juros de curto e longo prazo tornou-se a principal ferramenta política do banco desde a renovação de suas medidas em setembro passado, mas a manutenção de suas compras de títulos é vista pelos investidores como um indicador simbólico do compromisso do banco com sua política de flexibilização. Nos últimos meses, o ritmo real das compras, na verdade, caiu bem abaixo de 80 trilhões de ienes, estando em torno de 60 trilhões de ienes. Cresce no mercado a especulação de que o próximo passo do BoJ será de aperto monetário, em vez de afrouxamento, à medida que os investidores e as autoridades ficam cada vez mais nervosos com o balanço patrimonial gigantesco do banco central e o que pode acontecer com o valor global de seus ativos se o preço dos títulos vier a cair repentinamente. Especialistas apontam que será preciso fazer ajustes porque, nesse momento, o banco central estaria numa espécie de armadilha, preso entre indicadores sólidos de desempenho e uma inflação que não decola. Avaliação Também como resultado da reunião do conselho, o banco manteve sua avaliação da economia, dizendo que está "tomando o rumo de uma expansão moderada". O banco havia elevado a avaliação econômica em sua reunião anterior, em abril, usando o termo "expansão" pela primeira vez desde o início de 2008, antes do pico da crise financeira global. A economia japonesa vem crescendo há cinco trimestres seguidos, a maior expansão desde 2006, mesmo que o ritmo de crescimento anualizado de 1,0% nos primeiros três meses de 2017 não seja exatamente algo de tirar o fôlego. O mercado de trabalho também continuou sua tendência de aperto, com o maior número de empregos disponíveis para cada candidato em mais de 43 anos. Porém, preços, crescimento dos salários e consumo doméstico são três tópicos que apresentam fraqueza persistente. A inflação medida em abril foi de 0,3% ao ano, muito abaixo da meta do banco central, que é de 2%. Bolsa O comunicado do BoJ levou a Bolsa de Tóquio a um clima de otimismo no último dia da semana útil. O Nikkei, índice referencial, opera em alta de 0,9%, voltando a superar o patamar dos 20 mil pontos.