Joesley: Temer lidera a maior organização criminosa

Publicado em 18/06/2017 por Diário de São Paulo

17/06/2017 - 19:30

Joesley: Temer lidera a maior organização criminosa

Em sua primeira entrevista após delatar o presidente, Joesley detalhou pedidos de propina e defendeu gravação

Foto: /Divulgação

Proprietário da JBS e delator na Lava Jato, o empresário Joesley Batista disse, em entrevista exclusiva à revista "Época", que o presidente Michel Temer lidera "a maior e mais perigosa organização criminosa" do Brasil

Na reportagem, o homem que colocou detonou uma bomba na República após ter feito delação premiada ao Ministério Público Federal, detalhou a relação que mantinha com o peemedebista, os pedidos de propina que teriam sido realizados por ele e seu grupo político, além das negociatas para comprar o silêncio do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), depois de preso.

Segundo Joesley, Temer era o chefão de caciques do PMDB que comandam a Câmara dos Deputados. Entre eles estão os ministros Eliseu Padilha (Casa-Civil) e Moreira Franco (Secretaria de Governo), os ex-ministros Henrique Eduardo Alves, que está atrás das grades, Geddel Vieira Lima e o próprio Cunha.

"Essa é a maior e mais perigosa organização criminosa desse país. Liderada pelo presidente", disse Joesley. "O Temer é o chefe da Orcrim (organização criminosa) da Câmara. Temer, Eduardo, Geddel, Henrique, Padilha e Moreira. É o grupo deles. Quem não está preso está hoje no Planalto."

Joesley disse que se encontrou várias vezes com o presidente no escritório da Praça Panamericana, na casa dele (ambas na capital paulista), no Palácio do Jaburu e na residência do próprio Joesley. Temer, segundo o delator, foi na inauguração da fábrica Eldorado, do grupo JBS, e no seu casamento.

Temer, nas palavras do delator, sempre o acionava, para pedir algo, "algum favor".

O primeiro pedido de dinheiro teria sido feito em 2010. Um deles diz respeito ao pagamento de aluguel de escritório na Praça Panamericana. Outro se refere à campanha de Gabriel Chalita à Prefeitura de São Paulo em 2012. Temer também teria solicitado grana para seu grupo político em 2014.

Joesley disse que o peemedebista exigiu R$ 300 mil para fazer campanha na internet sobre sua imagem antes do impeachment da então presidente Dilma Rousseff.

O delator afirmou que pagava propina porque dependia desse grupo para tocar seus negócios. "Eles foram crescendo no FI-FGTS, na Caixa, na Agricultura todos órgãos onde tínhamos interesses. Eu morria de medo de eles encamparem o Ministério da Agricultura. Eu sabia que o achaque ia ser grande."

Joesley também descreveu uma disputa interna no PMDB. "O PT mandou dar um dinheiro para os senadores do PMDB. Acho que R$ 35 milhões. O Temer e o Eduardo descobriram e deu uma briga danada. Pediram R$ 15 milhões, o Temer reclamou conosco. Demos o dinheiro. Foi aí que Temer voltou à presidência do PMDB (...). O Eduardo também participou ativamente disso".

Perguntado se a gravação da conversa com Temer foi editada, ele disparou: "Podem fazer todas as perícias do mundo. Tentam desqualificar o áudio por desespero", disse.

Temer informou que vai protocolar, amanhã, ações civil e penal na Justiça contra o empresário. O presidente diz que Joesley "desfia mentiras em série" e que o empresário é o "bandido notório de maior sucesso na história brasileira".