Lava Jato na mira

Publicado em 30/05/2016 por Jornal O Estado do Ceará

AOperação Lava Jato realmente promoveu uma revolução no País, sob vários aspectos: ao promover uma minuciosa investigação sobre o enraizado e pernicioso crime organizado relacionado à corrupção; ao fazer uso da chamada delação premiada, conseguindo assim, importantes depoimentos sobre como funcionava o esquema de corrupção e seus envolvidos; ao encontrar elementos e provas suficientes para indiciar, denunciar e condenar altos executivos e diversos políticos com envolvimento em vários tipos de crime; ao mostrar a verdadeira face de um sistema político corrupto e corruptor, em que os detentores dos mais altos cargos do Estado encontram-se enrolados até o pescoço com os desvios inescrupulosos do dinheiro público para os próprios bolsos.
E como não poderia deixar de ser, a Operação Lava Jato sempre encontrou fortes resistência entre políticos, empresários, advogados, dentre outros. Por razões óbvias. Como diz o ditado popular: quem não deve não teme.
Certa feita, um grupo de renomados advogados subscreveu um manifesto, segundo o qual a Operação Lava Jato estaria desrespeitando as garantias fundamentais dos investigados, constituindo-se em uma verdadeira neoinquisição.
O Governo Federal, ainda sob égide da presidente anterior, tentou minar as investigações, procedendo a escutas e grampos, soltando informações privilegiadas para pessoas de seu máximo interesse, tudo com o nítido objetivo de se resguardar e de blindar uma cúpula de políticos conhecidos e renomados, infelizmente atingidos por uma amnésia sem igual. Se por um lado bradava jamais ter interferido na Operação Lava Jato; de outro lado, valia-se de expedientes insólitos para sabotá-la.
O Governo Federal, sob a égide do presidente interino, oriundo de um partido aliado do governo anterior, com o qual se coligou para conseguir a tal da governabilidade, vendendo a alma ao diabo, e depois se arrependendo amargamente, está tentando fazer o mesmo: inviabilizar a Operação Lava Jato.
E qualquer outro governante que assumir o poder nesse país assim o fará. Porque todos os partidos e a maioria dos políticos estão envolvidos em operações criminosas, em relações espúrias com empresários para financiamentos de campanhas em troca de benesses, em desvios de verbas públicas e distribuição de cargos a incompetentes e apadrinhados, em acordos entre amigos e inimigos, no poder ou não, porque todos estão no mesmo barco furado. O telhado de quase todos é de vidro.

Grecianny Cordeiro
P. De Justiça