Macapá pode adotar tratamento de água e esgoto com plantas macrófitas

Publicado em 15/06/2017 por Diário do Amapá

Formas de baixo impacto, com tecnologia natural e com eficiência de resultados. Isto é o que se busca no mundo hoje em dia em relação a tratamento de esgoto. Assim, países na Europa apostam no Fito-Etar - uma opção de tratamento de água e esgoto com plantas, desenvolvida pelo pesquisador português José Antônio F. Mendes. Ele esteve no auditório da Universidade do Estado do Amapá (Ueap), para ministrar palestra proporcionada pela Prefeitura de Macapá.

De acordo com o pesquisador, essa tecnologia utiliza plantas macrófitas (aquáticas que habitam desde brejos até ambientes totalmente submersos), que se "alimentam" dos resíduos, chegando a purificar até 90% da água que depois pode ser devolvida ao rio. Ele é presidente da Cooperativa de Serviços para Preservação do Ambiente (CRL), que desenvolve essa tecnologia em Lisboa e outras cidades da Europa.

"Conforme mostrei na minha palestra, nossa tecnologia funciona em outros países e acredito que também funcionará perfeitamente no Brasil. Estou à disposição para trocar informações, dar mais explicações sobre meu trabalho. Espero que aqui [em Macapá] possamos desenvolvê-la, como estou fazendo em outros cantos do mundo", ressaltou José Antônio F. Mendes.

O público foi formado por 160 pessoas, entre acadêmicos de cursos afins, como profissionais da área de biologia, saneamento básico e meio ambiente, como o professor da Universidade Federal do Amapá, Aldo Proietti Junior, que também é coordenador do Laboratório Especial de Microbiologia Aplicada (Lema), que fez questão de trocar informação com o palestrante e mostrou preocupação em relação à introdução de plantas não nativas da Amazônia.

"Toda alternativa de baixo impacto para o meio ambiente é sempre bem-vinda. Porém, não podemos abrir mão do risco de introduzir um exemplar exótico. A Amazônia é muita rica e produtiva. Há, portanto, a necessidade de termos muita segurança antes de implantar um novo cultivar, uma vez que aquilo, que a priori parece ser uma solução de baixo impacto, não se traduza posteriormente em um risco ambiental grande", ponderou o professor Aldo.

O pesquisador e palestrante Mendes destacou que as plantas que serão utilizadas já existem no Brasil, mas, após a função de absolver os resíduos poluentes, elas serão cortadas e incineradas. A Prefeitura de Macapá estuda um projeto piloto para verificar a eficácia da tecnologia e se não haverá nenhum dano ao meio ambiente.

De acordo com o diretor do Zoobotânico, Herialdo Almeida, espera-se fazer um laboratório no parque para desenvolver o projeto. "Este é um trabalho interessante. Usando a tecnologia de macrófitas, já vi trabalhos com esse tipo de plantas no Brasil, mas esta apresentada aqui é nova, pois se alimenta do material do esgoto. Estudamos um espaço para fazermos um tratamento natural. A empresa também tem interesse. Estamos analisando valores e estudando a possibilidade de realizarmos, com muito cuidado e precaução para não agredirmos nosso meio ambiente".

Para o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Lucas Abrahão, qualquer forma de buscar melhorar a qualidade de vida das pessoas e do meio ambiente terá o esforço da Prefeitura de Macapá. "Buscamos alternativas viáveis e eficazes para resolver um problema que se arrasta há muito tempo em nosso estado, e, se podermos utilizar uma tecnologia natural para cumprir esse papel de forma econômica e não prejudicial, será de grande impacto na vida das pessoas".