Com mercado de arte em queda no Brasil, exportações mantém expansão

Publicado em 18/06/2017 por Folha de S. Paulo Online

A venda de obras de arte para fora do país seguem em crescimento neste ano, e deverão ampliar sua participação na receita das galerias, segundo empresários do setor.

As exportações avançaram 14,3% no período de 12 meses até maio, na comparação com o acumulado de 2016 -ano em que o mercado estrangeiro já estava em alta.

Os dados, da Secex (Secretaria de Comércio Exterior), contabilizam as obras vendidas para colecionadores estrangeiros e as levadas para feiras internacionais.

SUPORTE INTERNACIONAL - Exportações de obras de arte*<br><br><b>Vendas no acumulado de 12 meses,em milhões de US$</b>

Com as vendas internas piores que no ano passado, as exportações ganharam importância na receita.

"O mercado aqui está mais recessivo. Tenho vendido bem mais para fora do que dentro do Brasil", afirma Berenice Arvani, da galeria que leva seu nome. A perspectiva este ano é de um aumento de 10% nas exportações, diz ela.

"No ano passado, tivemos um crescimento dentro do país, até por conta da exposição do Tunga [artista que morreu em junho de 2016]. Este ano está mais difícil", diz Socorro de Andrade Lima, sócia-diretora da galeria Millan.

Na galeria Raquel Arnaud, as exportações estão estáveis na comparação com 2016, mas, internamente, há uma retração, afirma Myra Arnaud.

"Sentimos um reflexo um pouco tardio da crise neste ano. Também por isso temos repensado a nossa estratégia internacional, mas é um processo de longo prazo."

Destaques de Junho em Mercado Aberto

-

Aceitação de novos cursos superiores pelo MEC tem queda

O MEC (Ministério da Educação) reconheceu 30% a menos de novos cursos universitários em 2016, em relação ao ano anterior. Foram cerca de 1.500, número mais baixo da série, que começa em 2012.

O ritmo se estabilizou: até junho deste ano, os novos cursos somam metade do total de 2016.

Há dois tipos de reconhecimento: o de entidades que têm autonomia para lançá-los e o de escolas que passam por uma avaliação prévia do Ministério.

O fato de haver menos cursos reconhecidos não é motivo para preocupação, diz Sólon Caldas, diretor-executivo da Abmes (associação de mantenedoras de ensino superior).

"A variação não significa que os alunos não são contemplados. Uma pesquisa nossa aponta que estudantes de ensino médio estão interessados em formações tradicionais."

A redução está em consonância com uma queda do número de ingressantes, aponta a Abmes. Os últimos dados, de 2015, mostram queda de 7%.

ESTUDO EM RECONHECIMENTO - Novos cursos superiores nos últimos anos

-

Perspectiva argentina

O Credit Suisse passou a recomendar que seus clientes aumentem sua participação no mercado argentino.

O banco projeta um aumento de 2,4% no PIB do país em 2018 e define como provável a promoção da Argentina para o índice de emergentes do MSCI (Morgan Stanley Capital International), no próximo dia 20.

Os representantes latino-americanos que compõem o grupo são Brasil, Peru, Colômbia, Chile e México.

A Argentina está no índice de mercados de fronteira, que inclui Quênia, Romênia e Vietnã, entre outros.

Apesar da perspectiva positiva, o Brasil é considerado pelo banco um dos maiores riscos para o futuro econômico argentino, por ser o destino de quase 40% das exportações de manufaturados.

ECONOMIA HERMANA - Variação real do PIB da Argentina, na comparação com o ano anterior, em %

-

Sem conexão

A venda de dispositivos e plataformas conectadas deverá movimentar US$ 470 bilhões (cerca de R$ 1,54 trilhão) até 2020, segundo a Bain & Company.

A internet das coisas atualmente movimenta em torno de US$ 195 bilhões (R$ 640 bilhões), avalia a consultoria, que ouviu ouviu 170 fornecedores e 500 compradores.

Pouco mais de 60% das companhias ainda planejam como trabalhar com esse tipo de tecnologia.

A expectativa para os próximos três anos é que apenas 20% das empresas tenham implementado soluções ligadas à internet das coisas de forma extensiva.

RECEIO TECNOLÓGICO - Obstáculos mais citados para a implementação de internet das coisas em empresas, em %

-

Hora do Café -Junho de 2017

com FELIPE GUTIERREZ, TAÍS HIRATA, IGOR UTSUMI e NATÁLIA PORTINARI