Ministro da Cultura se demite

Publicado em 19/06/2017 por DCI

19/06/2017 - 05h00

Ministro da Cultura se demite

Alegando cenário "inviável", devido aos cortes na pasta, João Batista de Andrade preferiu pedir demissão

São Paulo - O ministro interino da Cultura, João Batista de Andrade (PPS-SP), disse na sexta-feira (16), que decidiu deixar o cargo após perceber que o posto estava sendo negociado pelo governo com outros partidos da base aliada.

O titular anterior, Roberto Freire (PPS), pediu demissão do cargo, em maio após a crise gerada pela delação do empresário Joesley Batista, da JBS. Nos bastidores informações indicavam que o Palácio do Planalto decidiu tirar a vaga do PPS em retaliação ao fato de Freire ter deixado o cargo e cobrado a renúncia do presidente Michel Temer.

Andrade justificou o pedido para sair do comando da pasta afirmando que há uma "deterioração" do ambiente político e que ele não queria ficar no meio "dessa roda de disputa". "Eu não vim aqui atrás de cargo, vim fazer política cultural", disse o ministro saído na sexta-feira.

O ministro interino afirmou também que o corte de mais de 40% do orçamento da pasta tornou o funcionamento do ministério "inviável". "A verdade é que os governantes não ligam muito para o Ministério da Cultura", disse.

Ele também comentou que a sua indicação para ocupar o cargo de presidente da Agência Nacional do Cinema (Ancine) foi ignorada e que Temer preferiu colocar outra pessoa no lugar. "Se eu, como ministro, não posso indicar os nomes das agências que estão ligadas à pasta, o que eu estou fazendo aqui? É um grau de desprestígio muito grande. Isso vai desgastando", apontou.

Filiado ao PPS, Andrade é escritor, roteirista e cineasta. Antes do ministério, foi nomeado secretário de Cultura do Estado de São Paulo em 2005 e, entre 2012 e 2016, exerceu a função de presidente da Fundação Memorial da América Latina, em São Paulo (SP).

O governo deve efetivar a troca na Cultura quando o presidente Michel Temer retornar da viagem para Rússia e Noruega na sexta-feira (23). O nome mais cotado é o deputado André Amaral (PMDB-PB).

Da redação

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