Não há justificativa

Publicado em 13/06/2017 por O Estado do Maranhão

Não há justificativa

A questão envolvendo o governo Flávio Dino (PCdoB) e o Instituto de Desenvolvimento e Apoio ao Cidadão (IDAC) - acusado de desvios de R$ 18 milhões no setor de Saúde - se resume a uma situação básica: foi no governo comunista que se deram os saques na boca do caixa do grosso dos recursos desviados, segundo a Polícia Federal.
Os aliados do governador, seu secretário de Saúde e auxiliares do governo insistem em querer tirar a gestão comunista da polêmica. É impossível, diante das datas expostas nas imagens mostradas no Fantástico, da Rede Globo. Os saques efetivados foram todos no período de março a abril deste ano, ou pouco mais de um mês antes da operação da Polícia Federal.
Outra questão envolvendo o governo Flávio Dino na operação desbaratada pela Polícia Federal: o IDAC teve aumento de 110% em seus contratos com o estado somando nada menos que R$ 242 milhões com a gestão comunista.
Não convence, portanto, o que disse o secretário Carlos Eduardo Lula, em entrevista ao Fantástico, da Rede Globo, no último domingo, quando afirmou não haver como "detectar nenhuma irregularidade" porque o esquema tinha "fraude sofisticada".
Tão sofisticado que conseguiu convencer o mesmo governo a aumentar contratos de R$ 18 milhões - todos auditados na gestão anterior, é bom ressaltar - em quase 15 vezes.
Claro está que o governo Dino não resolveu o problema porque não quis.

Desgaste
As declarações ao Fantástico fizeram balançar no cargo o secretário de Saúde Carlos Lula.
Queridinho do próprio governador Flávio Dino, de quem já foi advogado, Lula foi guindado à SES muito mais pela proximidade do que pela experiência em gestão.
O caso IDAC pode precipitar algo que o próprio secretário já vem tentando há tempos: o desligamento do posto e a volta para a Assembleia, onde é consultor de carreira.

Omissão
Responsável pelas investigações de contratos e acordos do governo Flávio Dino, o secretário de Transparência, Rodrigo Lago, preferiu manter silêncio.
Caberia à sua pasta, após apontar problemas, exigir do governo que os contratos fossem corrigidos e encaminhá-los à investigação mais aprofundada.
Mas a pasta de Lago preferiu acompanhar a distância a profusão de contratos e aditivos contratuais celebrados desde o seu parecer.

Visionário
O ex-vereador Fábio Câmara (PMDB) lembrou ontem que a crise no setor de Saúde de São Luís foi anunciada por ele ainda em 2015.
No dia 2 de junho daquele ano, o então parlamentar fez discurso na Câmara Municipal criticando os cortes no setor, feitos pelo governador Flávio Dino.
Câmara lembra que, já naquela época, sabia que o resultado seriam o sucateamento do atendimento hospitalar e desvios de recursos, o que ocorre agora.

Dois caminhos
Pré-candidato a senador, o deputado federal Waldir Maranhão (PP) é alvo de duas legendas totalmente antagônicas.
Seus aliados contam que o próprio ex-presidente Lula havia prometido a ele o PT para seu projeto de disputar o Senado.
Agora, Maranhão passa a ser alvo, também, do PSDB, capitaneado pelo vice-governador Carlos Brandão.

Jogadinha
Foi suspensa pela quarta vez consecutiva a greve dos motoristas prevista, agora, para hoje.
Na verdade, a Prefeitura de São Luís e o Ministério Público já desconfiam que os constantes recuos fazem parte de um joguinho entre trabalhadores e empregadores do setor.
Os empresários de ônibus querem que o auge dos protestos por aumento de salários ocorra exatamente no período de debate para aumento de passagem, a partir de julho.

Burros n'água
Em guerra aberta com os donos de postos de combustíveis, o superintendente do Procon-MA, Duarte Júnior, ganhou mais uma contra o sindicato do setor.
Os empresários, acuados por sucessivas ações do órgão contra o cartel no preço dos combustíveis, pediram a cabeça de Júnior no próprio Ministério da Justiça.
A Secretaria Nacional do Consumidor respondeu que não há relação de subordinação entre os Procons.

E MAIS

? Prefeitos e ex-prefeitos sondam o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho (PV), para encontros regionais de pré-lançamento de sua candidatura ao Senado

? O deputado Eduardo Braide e a vereadora Rose Sales protagonizam as atuais inserções do PMN, no ar durante a programação das rádios e emissoras de TV.

? Agora desocupado pela Prefeitura de São Luís, o prédio "Balança, mas não cai" era alvo há pelo menos 30 anos de ações para retirada dos moradores.

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