Operação da PF mira alvos ligados a Lobão e Barbalho

Publicado em 17/02/2017 por Folha de Londrina


Rúbio Marra/Futura Press/Estadão Conteúd
Rúbio Marra/Futura Press/Estadão Conteúd - Agentes chegam à sede da Superintendência da Polícia Federal, em Belém, após   cumprirem mandado de busca e apreensão da Operação Leviatã
Agentes chegam à sede da Superintendência da Polícia Federal, em Belém, após cumprirem mandado de busca e apreensão da Operação Leviatã


Brasília - A Polícia Federal (PF) deflagrou nessa quinta (16) a Operação Leviatã para cumprir mandados expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Os seis mandados de busca e apreensão foram expedidos pelo ministro Edson Fachin. Eles estão sendo cumpridos no Rio de Janeiro, em Belém e Brasília nas residências dos investigados e em seus escritório de trabalho. Os investigados podem responder por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Os alvos da operação são ligados aos senadores do PMDB Edison Lobão (MA) e Jader Barbalho (PA). O primeiro alvo é Márcio Lobão, filho do senador, que já foi citado na delação do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado. O outro alvo da operação é o ex-senador Luiz Otávio Campos, considerado por investigadores um apadrinhado político de Barbalho.

Os nomes de Márcio Lobão e de Luiz Otávio Campos foram indicados na delação do executivo da Andrade Gutierrez Flávio Barra, que relatou pagamentos realizados pela empreiteira pelas obras da usina hidrelétrica de Belo Monte e também pela usina de Angra 3.

Segundo nota da PF, a operação é consequência de um inquérito que apura pagamento de propina de 1% do valor das obras de Belo Monte, no Pará, a dois partidos políticos. O dinheiro teria sido pago por parte das empresas do consórcio construtor.

Em 2016, reportagem da "Folha de S.Paulo" mostrou que, em delação premiada, executivos da Andrade Gutierrez revelaram que as construtoras responsáveis pela obra de Belo Monte pagaram propina de R$ 150 milhões (o 1% do valor dos contratos) para PT e PMDB. Cada partido ficaria com uma cota de R$ 75 milhões. Os recursos foram pagos, segundo os depoimentos, na forma de doações legais para campanhas de 2010, 2012 e 2014.

Luiz Otávio chegou a ser investigado em 2012 por suspeita de desvio de R$ 12 milhões da Agência Especial de Financiamento Industrial (Finame), mas o caso foi arquivado em 2013. No ano passado, a então presidente Dilma Rousseff o indicou para ser o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq),
A indicação atendeu aos interesses de Helder Barbalho (PMDB-PA), que era ministro da Secretaria dos Portos na época, e de seu pai, o senador Jader Barbalho ? ambos aliados históricos de Luiz Otávio. Quando Michel Temer assumiu, porém, ele suspendeu as indicações da petista.

Márcio Lobão é citado como intermediário de propina ao pai no acordo de delação premiada firmado pelo ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado. À época, Edison Lobão era ministro de Minas e Energia do governo Lula. Os pagamentos da subsidiária da Petrobras para o ex-ministro eram encaminhados ao escritório de Márcio, localizado no centro do Rio.

INVESTIGAÇÃO
O nome da operação é uma referência à obra "O Leviatã", do filósofo Thomas Hobbes. Nela, ele diz que o "homem é o lobo do homem", comparando o Estado a um ser humano artificial criado para sua própria defesa e proteção.
Em junho do ano passado, o STF autorizou a abertura de um inquérito para apurar se integrantes da cúpula do PMDB no Senado supostamente receberam propina na construção de Belo Monte. Os investigados são os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL), Romero Jucá (PMDB-RR), Valdir Raupp (PMDB-RO) e Jader Barbalho.
A abertura foi determinada pelo ministro Fachin a pedido da Procuradoria-Geral da República. A linha de investigação tem como base a delação premiada do ex-senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS). (Com Agência Estado)