Pesquisadores derrubam crença comum sobre refugiados

Publicado em 14/06/2017 por Folha de S. Paulo Online

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Os refugiados estão no centro de uma confusão política, acusados de tudo, desde terroristas a um fardo para os contribuintes, o que levou o presidente Donald Trump, em um de seus primeiros atos, a suspender o programa nacional de reassentamento de refugiados, que já tinha quatro décadas.

Mas um novo estudo mostra que os refugiados acabam pagando mais impostos do que recebem em benefícios assistenciais depois de apenas oito anos vivendo no país.

Quando os refugiados que entraram nos EUA como adultos completam 20 anos no país, eles pagaram em média US$ 21 mil a mais em impostos a todos os níveis do governo do que receberam em benefícios nesse período, segundo um trabalho divulgado na segunda-feira (12) pelo Birô Nacional de Estatísticas Econômicas, que examinou o progresso econômico e social dos refugiados nos EUA.

"Havia muita retórica dizendo que essas pessoas custam muito, mas nós não sabíamos na verdade qual era esse número", disse William Evans, um economista da Universidade Notre Dame que é coautor do trabalho.

Trump, em sua ordem executiva de janeiro que impediu temporariamente a entrada de refugiados no país, havia orientado o Departamento de Estado a estudar os custos em longo prazo do programa de admissão de refugiados para os governos federal, estaduais e municipais.

Evans e seu colega Daniel Fitzgerald responderam, estimando que o país gasta em média US$ 15 mil para reassentar cada refugiado, incluindo o custo de verificações do histórico individual, habitação, aulas de inglês e treinamento para o trabalho.

Além disso, os refugiados, ao contrário de outros imigrantes, têm direito a receber assistência do Estado em dinheiro, cupons de alimentação e seguro-saúde (Medicaid). Essa rede de segurança social custa cerca de US$ 92 mil em benefícios durante os primeiros 20 anos de um refugiado nos EUA -enquanto ele paga ao todo US$ 129 mil em impostos no mesmo período, segundo os pesquisadores.

Desde o início do programa de admissão de refugiados, em 1975, os EUA reassentaram mais de 3 milhões de pessoas. Os pesquisadores examinaram dados referentes a refugiados de duas dúzias de países da África, Ásia, Leste Europeu e Oriente Médio.

Apesar de chegar a este país com deficits de idioma e educação significativos, os refugiados experimentam um rápido aumento nos índices de emprego e rendimento ao longo do tempo, conforme o estudo.

Isso não quer dizer que eles não tenham dificuldades no início -e começam sua estada nos EUA contando muito com a assistência pública. Seu progresso é determinado em parte pelo fato de eles terem chegado ao país quando crianças, adolescentes ou adultos.

Os que chegam antes dos 14 anos se formam no colegial e entram na faculdade na mesma porcentagem que seus colegas nascidos nos EUA, concluíram os pesquisadores -a descoberta que Evans considerou mais surpreendente.

"As condições que eles experimentaram na primeira parte de sua vida são devastadoras", disse ele. "Muita pesquisa sugere que essas condições iniciais fazem uma enorme diferença nos resultados posteriores na vida, mas apesar da situação mais pobre que essas crianças tiveram parecem se sair muito bem."

Os que entram no país já no fim da adolescência, porém, tiveram resultados educacionais substancialmente inferiores. Os pesquisadores atribuem os resultados mais fracos à barreira do idioma e ao fato de que muitos chegam desacompanhados dos pais e acabam em lares provisórios.

Só entre 5% e 10% das crianças com menos de 14 anos chegam aos EUA sem a mãe. Esse número aumenta para 20% a 30% dos refugiados que chegam entre 15 e 16 anos. E mais de 40% dos que entram aos 17 vêm sem as mães.

Diante das disparidades no progresso entre os que chegam quando crianças ou na adolescência, os pesquisadores sugerem que qualquer aumento futuro de gastos com refugiados seria melhor aplicado nos adolescentes mais velhos.

Os refugiados que chegam entre 18 e 45 anos, entretanto, começam no país com emprego e ganhos inferiores e contam muito com programas assistenciais do Estado. Mas depois de seis anos nos EUA eles trabalham em porcentagem mais elevada que seus pares nascidos nos EUA -embora seus salários não se comparem. Após dez anos, seu uso dos programas de assistência e de cupons alimentares é comparável ao dos nascidos nos EUA.

Quanto mais tempo os refugiados vivem no país, maior seu progresso econômico.

Tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves