O preço do silêncio

Publicado em 15/06/2017 por Zero Hora

Foi com certo alívio que o Planalto recebeu as declarações de Eduardo Cunha à Polícia Federal. Havia, sim, expectativa de que ele aproveitasse o depoimento para mandar recados ao presidente Michel Temer, constrangendo o peemedebista. Além de dizer que o seu silêncio nunca esteve à venda, negou o recebimento de propina ou contato com emissário de Temer. Mas para o governo é um alívio apenas temporário. Continua grande a tensão a respeito de uma delação premiada do doleiro Lúcio Funaro, operador de Cunha. Se ele contar o que sabe, é bem possível que também Cunha tente negociar uma colaboração, chutando o balde de vez. Funaro e Cunha representam o tal fato novo, que o governo tanto tem medo. Enquanto eles não falam, Temer usa a caneta para se fortalecer politicamente. O apoio do BNDES aos Estados é apenas um exemplo. O problema é que, com isso, o discurso do ajuste fiscal vira pó. Temer, no entanto, só pensa na própria sobrevivência.

COM OS RUSSOS

Apesar da crise, Temer resolveu viajar na próxima semana para a Rússia e vai levar parlamentares com ele. Os deputados Darcísio Perondi (PMDB-RS), Vinícius Carvalho (PRB-SP) e o senador Paulo Bauer (PSDB-SC) estão entre os convidados. Pela manutenção da agenda no Exterior, Temer e aliados não esperam que a PGR apresente a denúncia tão cedo.

NOVA DATA

A reforma da Previdência foi mais uma vez adiada: ficou para julho. A edição de uma medida provisória apenas com a idade mínima é uma carta na manga, mas os governistas não querem enterrar de vez a PEC. Quem conhece o ritmo da Câmara está pagando para ver.

RECADO 

O presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro, deu um puxão de orelhas no Estado e afirmou que o Rio Grande do Sul está longe de fazer o ajuste fiscal. À repórter da RBS TV Nathalia Fruet, ele lembrou que haverá análise de cada situação na liberação de crédito:

- O Rio Grande do Sul tem que se comprometer bem mais - disse ele.

GURU

Ricardo Ferraço (PSDB-ES) é o único tucano da bancada no Senado a apoiar abertamente os chamados "cabeças pretas", jovens deputados do PSDB que defendem o desembarque do governo. Com uma reeleição complicada, Ferraço também está de olho em 2018.

Colaborou Silvana Pires


Leia outras colunas de Carolina Bahia

Carolina Bahia: PSDB é fiador

Carolina Bahia: Loures é o fato novo

Carolina Bahia: Temer, o equilibrista