Previdência multimercados dobra tamanho em 12 meses

Publicado em 16/06/2017 por DCI

16/06/2017 - 05h00

Previdência multimercados dobra tamanho em 12 meses

Ciclo de baixa da taxa básica de juros incentiva investidor do varejo alta renda a poupar em fundos mais diversificados, mas VGBL de renda fixa ainda é líder

São Paulo - Nos últimos 12 meses até 8 de junho, a captação em planos de previdência multimercados alcançou o montante de R$ 12,91 bilhões, o que fez dobrar o patrimônio dessa categoria para R$ 25,22 bilhões.

No ano de 2017 até a mesma data, a captação líquida da previdência multimercados atingiu R$ 7,945 bilhões, muito próximo da tradicional previdência renda fixa que obteve R$ 8,186 bilhões em igual base de comparação.

"A baixa da Selic [taxa básica de juros] é um incentivo para a diversificação. Há uma participação muito grande de pessoa física", avalia o sócio da Aditus Consultoria, Guilherme Benites.

Ao todo, as categorias de planos de previdência tiveram R$ 16,15 bilhões em novos aportes no ano, ou seja, descontando os resgates. Em 12 meses até 8 de junho, essa captação líquida acumulada é de R$ 49,51 bilhões, segundo relatório diário da Associação Brasileira das Entidades dos Mercado Financeiro e de Capitais (Anbima).

Em termos de rentabilidade, os planos multimercados entregaram ganhos de 12,76% em 12 meses, ao passo que os planos tradicionais de renda fixa mostraram 13,29% de rendimento, desempenho similar ao de fundos de investimentos de renda fixa baixa duração (curto prazo) e risco soberano (concentrado em títulos públicos), com valorização 13,1% no mesmo período.

"O desempenho recente dos multimercados foi muito bom, mesmo com perdas no último mês [de maio]", observou Guilherme Benites, que citou que alguns fundos perderam de 4% a 5% no mês, por causa da crise política.

Face esses efeitos, no ano até 8 de junho, a rentabilidade da previdência renda fixa está em 5,16%, frente 4,82% da previdência multimercados, enquanto os fundos de investimentos de renda fixa de baixa duração e risco soberano registraram 5,04% em igual tempo.

Os dados da Anbima por segmento de investidor também mostram que o varejo alta renda tem caminhado para carteiras multimercados, enquanto o público de varejo de menor renda ainda prefere as carteiras mais conservadoras.

Da captação de R$ 10,147 bilhões do varejo (de menor renda) até abril, 98,4% foram direcionados para fundos de investimentos em renda fixa.

No varejo alta renda, da captação positiva de 23,875 bilhões até abril último, 85,3% foram para fundos de renda fixa, mas uma fatia de R$ 3,72 bilhões foi encaminhada para os fundos multimercados.

E no private (público milionário), a situação se inverte, da captação líquida de R$ 29,57 bilhões até abril, R$ 20,66 bilhões ou 69% foram destinados aos fundos multimercados, e as carteiras de renda fixa receberam aportes de R$ 7,55 bilhões, uma fatia de 25%.

Mudança nas fundações

A tendência da busca por carteiras multimercados também foi confirmada pelo diretor executivo de investimentos da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), Guilherme Velloso Leão.

"A maioria das fundações estava se descolando da renda fixa para buscar mais risco. Mas com cenário político mais conturbado, estou acreditando que [o aporte] renda variável vai ficando para 2018", diz o diretor executivo da Abrapp.

Velloso Leão aponta que as fundações vão cumprir suas metas atuariais em 2017. "Será um pouco mais apertado do que em 2016", avisou.

Segundo o consolidado estatístico da Abrapp, em 2016, o patrimônio das fundações havia crescido 10,2% para o montante de R$ 755 bilhões, sendo 51,8% ou R$ 391,5 bilhões em fundos de renda fixa e R$ 131,2 bilhões em títulos públicos.

"Para o investidor institucional, a curva longa dos juros é mais importante. A crise política pode frear esse movimento para multimercados", ponderou Benites, da Aditus.

Ernani Fagundes

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