Profissão de baiana de acarajé é oficializada em órgão trabalhista

Publicado em 17/06/2017 por A Tarde - BA

Baianas e representantes do MTE assinaram o documento na manhã desta sexta-feira - Foto: Luciano da Matta l Ag. A TARDE
Baianas e representantes do MTE assinaram o documento na manhã desta sexta-feira
Luciano da Matta l Ag. A TARDE

O termo que viabiliza a inclusão da profissão de baiana de acarajé na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) foi assinado, nesta sexta-feira, 16, na sede da Superintendência Regional do Trabalho no Estado da Bahia (SRTE), no Caminho das Árvores, em Salvador.

O documento foi assinado pelo ministro interino do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) Antônio Correia, pela secretária Municipal de Políticas para Mulheres Infância e Juventude (SPMJ), Taíssa Gama, e por representantes da Associação de Baianas, Mingau e Receptivo da Bahia (Abam).

Conforme o ministro, todo o Brasil vai passar a reconhecer a baiana de acarajé como profissional. "São 300 anos de história, cultura e religiosidade. Assinar esse termo é um ato de respeito à Bahia", afirmou.

Ainda de acordo com Correia, no dia 3 de julho, haverá uma reunião de desenvolvimento da metodologia de reconhecimento da profissão, na qual as baianas que tem mais de cinco anos exercendo a profissão irão relatar sobre o ofício para uma comissão de estudiosos, técnicos MTE e professores da Universidade de São Paulo.

"Eles serão encarregados de fazer o levantamento das características principais da profissão. Após isso, apresentarão o laudo e, em seguida, ainda em julho, marcaremos a vinda do Ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, para assinar o ato formal de reconhecimento das baianas do acarajɔ.

Reconhecimento

De acordo com Taíssa Gama, as doenças ocupacionais citadas pelas profissionais, que antes não eram consideradas como acidente de trabalho, após a inclusão, passarão a ser denominadas como doença ocupacional ou acidente de trabalho.

"Há 13 anos as profissionais vem lutando por reconhecimento. Agora, temos esse compromisso de oferecer o que merecem com dignidade", disse a secretária.

Para a presidente da Abam, Rita Santos, ainda há questões a serem esclarecidas. "O que sabemos de antemão é que, a partir de agora, a assinatura do termo mudará a vida de todas nós, principalmente na questão da saúde. Há baianas que sofrem acidente no trabalho, mas, quando se dirige ao INSS, não conseguem se aposentar", exemplificou.

Segundo ela, a categoria comemorou a vitória e está ansiosa para a vinda do ministro: "No próximo mês, quando o documento será sancionado pelo ministro, teremos a certeza de que seremos reconhecidas".

*Estagiária sob orientação do editor-coordenador Luiz Lasserre