Promoção e apoio ao turismo

Publicado em 19/06/2017 por DCI

19/06/2017 - 05h00

Promoção e apoio ao turismo

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Entre os vários potenciais mal aproveitados do Brasil, o desenvolvimento do setor de turismo é o que provavelmente traria retorno mais rápido caso fossem vencidos alguns entraves. Mesmo com nossa diversidade de destinos, vantagem climática e histórico de hospitalidade, o World Travel & Tourism Council calcula que apenas 3,2% do PIB nacional vem das atividades turísticas. É muito pouco para um segmento responsável por algo em torno de 10% da economia global.

A capacidade geração de divisas do setor em toda a sua cadeia de valor é considerada uma forte ferramenta de inclusão social, por criar empregos, estimular o empreendedorismo e desenvolver competências. O turismo é mencionado como catalisador em vários pontos da Agenda para o Desenvolvimento Sustentável e o Centro de Comércio Internacional aponta a atividade como fomentadora da inclusão de jovens e mulheres no mercado formal.

Para um momento de altos índices de desemprego - a OIT calcula que mais de 200 milhões de pessoas ainda estarão fora do mercado neste ano -, não é economicamente saudável esquecer um setor responsável por uma a cada 11 vagas criadas em nível mundial. O Brasil anda devendo também nesse quesito: o turismo foi responsável por apenas 2,8% dos empregos no ano passado.

Uma prova de que o incremento do turismo passou longe das prioridades do governo federal é que a Embratur viu seu orçamento para a promoção internacional ser reduzido em 82% entre 2011 e 2016. Essa é a principal motivação para o projeto de lei 7425/2017, que está em tramitação na Câmara, que prevê que a Embratur deixará de ser um instituto para se tornar uma agência de promoção, com variedade maior de fontes de recursos, parte deles fruto da própria evolução da atividade.

O problema é que as mudanças mais amplas no escopo do projeto, que incluem até a liberação total do capital externo nas companhias aéreas, ainda vão sofrer muitas atribulações ao longo do processo. Isso se a crise política permitir uma votação.

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