Redução da meta de inflação de 2019 para 4% seria positiva, diz Credit Suisse

Publicado em 19/06/2017 por Valor Online

Reduzir a meta de inflação de 2019 para 4% seria uma medida positiva para a economia brasileira, segundo estudo do Credit Suisse. Em relatório, o banco diz que uma diminuição "crível" do alvo perseguido pelo Banco Central (BC) leva a menores índices de preços no médio prazo. "Em um ambiente de inflação baixa e credibilidade elevada do Banco Central, como parece ser o cenário atual, o custo associado à redução da meta de inflação é baixo." O estudo destaca a necessidade do ajuste fiscal para que a redução da meta seja bem-sucedida. O alvo está em 4,5% desde 2005, um nível alto em comparação com os outros 47 países que adotam o regime de metas. Segundo informação da jornalista Claudia Safatle, colunista e diretora adjunta de redação do Valor, o Conselho Monetário Nacional (CMN) deve definir um alvo de 4,25% para 2019 na reunião do dia 29. O de 2018 é de 4,5% e não deverá ser alterado. Pelas contas do Credit Suisse, uma redução do alvo em 0,5 ponto percentual resultaria em alta dos juros nominais em cerca de 0,13 ponto percentual após quatro trimestres. "Dado o atual ciclo de afrouxamento monetário, não haveria necessidade de alta de juros", diz o relatório da equipe comandada pelo economista Nilson Teixeira. A inflação medida pelo IPCA, por sua vez, cairia 0,16 ponto percentual nesse período e 0,39 ponto após oito trimestres. Na visão do Credit Suisse, a inflação e os juros nominais se estabilizariam em níveis mais baixos no longo prazo. Além disso, haveria uma redução do crescimento do PIB em 0,1 ponto depois de sete trimestres, mostrando que "a desinflação não traria custos adicionais significativos em termos de produto". Essas simulações foram feitas com um modelo que considera a resposta dos índices de preços, dos juros e do PIB a reduções da meta "sob credibilidade perfeita do BC". O Credit Suisse ressalta que a meta de inflação do Brasil é elevada quando se compara com a dos outros 47 países que adotam o regime de metas. Nos países desenvolvidos, por exemplo, o alvo médio é de 2,2%; nos emergentes, de 4%. Entre os países da América Latina, a média é de 3%. "A redução do centro da meta em um ambiente de inflação baixa e expectativas ancoradas é compatível com uma gestão de política monetária similar às experiências internacionais bem sucedidas." O banco enfatiza o fato de as expectativas de inflação estarem hoje bem ancoradas. "A partir de 2009, as expectativas de inflação de até quatro anos à frente se afastaram muito do centro da meta estabelecida pela autoridade monetária, sugerindo redução da capacidade de ancoragem do regime de metas nos últimos anos", diz o estudo. A partir de meados do ano passado, contudo, as expectativas recuaram "e, no momento, concentram-se abaixo da meta para 2017 e para os anos seguintes." Isso facilita e torna mais crível a redução da meta. Segundo o mais recente boletim Focus, a mediana das expectativas dos economistas ouvidos semanalmente pelo BC para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está em 3,71% para este ano e em 4,37% para o ano que vem. Para, 2019, 2020 e 2021, as projeções estão todas em 4,25%. O estudo do Credit Suisse diz que níveis mais baixos de inflação geram incentivos para que se diminua a meta. "Após redução da inflação corrente, bancos centrais têm incentivos a reduzir a meta, tendo em vista a oportunidade de menores custos associados à desinflação. Alguns países aproveitaram uma dinâmica mais favorável da inflação corrente para reduzir a meta de inflação", observa o relatório. "Dentre os 30 países que reduziram o centro da meta em algum momento durante o período o regime de metas, 70% apresentaram um patamar de inflação menor, próximo ao centro da nova meta. Considerando apenas os países que implementaram o regime de metas de inflação antes de 2010 (23 países), 78% conseguiram manter uma inflação inferior ao período anterior à mudança de meta." Entre as economias que foram bem-sucedidas em reduzir a inflação para um nível menor e mais próximo ao novo alvo, o Credit Suisse destaca a República Tcheca, a Polônia e Israel. O estudo do Credit Suisse reitera, porém, que "o sucesso da estratégia de política monetária do Banco Central nos próximos anos dependerá de fatores exógenos à autoridade monetária, como a implementação de uma contínua e abrangente agenda de reformas no Brasil". Essas medidas são importantes para que os déficits primários sejam revertidos, para garantir o reequilíbrio das contas públicas nos próximos anos, diz o banco. "A manutenção de déficit primário elevado tende a promover uma elevação expressiva da inflação via depreciação cambial, independentemente de qual seja o centro da meta estipulado."