Trump e a ilha

Publicado em 18/06/2017 por Folha de S. Paulo Online

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O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (16) mudanças nas medidas de reaproximação com Cuba que haviam sido implementadas pelo seu antecessor, Barack Obama.

As novas diretrizes criam mais complicações para viagens de cidadãos americanos à ilha e vetam operações de comércio com empresas cubanas que tenham relações com o setor militar.

Um amplo leque de negócios em Cuba envolve controle ou participação do grupo estatal Gaesa, que pertence às Forças Armadas Revolucionárias. Estima-se que essas atividades representem cerca de 60% da economia do país.

As novas medidas fazem parte do esforço de Trump para prestar conta de promessas eleitorais. Durante a campanha, o republicano criticou as decisões de Obama em relação a Cuba, que considerou um "mau acordo".

Há forte lobby nos EUA -com a participação de políticos importantes, como o senador Marco Rubio, da Flórida, que representa a influente comunidade cubano-americana de perfil anticastrista- contra a abertura proposta em 2014 pelo governo democrata.

Trump, com as novas medidas, faz um aceno a um setor significativo da direita, mas não chega a comprometer o escopo maior do processo de reaproximação. Continuam em vigor as relações diplomáticas entre os dois países, e as embaixadas em Washington e Havana seguem em funcionamento.

O presidente americano aproveitou o anúncio para reforçar a retórica em prol dos direitos humanos e das liberdades democráticas em Cuba. As relações dos EUA com a ilha são um capítulo à parte, inacabado, da Guerra Fria.

Ao longo de anos, o fracasso econômico e os desmandos da ditadura deixaram o país caribenho em situação deplorável. Depois de viver sob o abrigo da antiga União Soviética, Cuba mergulhou num período de graves restrições. Mais recentemente, obteve algum oxigênio do regime venezuelano -que, por sua vez, também naufragou.

Não resta dúvida de que o caminho a seguir é o da abertura. No plano interno, cabe ao regime pôr fim às perseguições políticas e estabelecer um cronograma de adesão à democracia. Na economia, é preciso remover o entulho burocrático socialista e permitir que prospere a livre iniciativa.

Quanto aos EUA, tardam em suspender um boicote econômico que tem servido apenas para punir a população cubana, restringir as atividades de empresas e oferecer justificativas persecutórias para a permanência da ditadura local.

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